A partir de 1º de janeiro de 2025, o Brasil assumirá a presidência do Brics, marcando a quarta vez que o país lidera o grupo. O embaixador Eduardo Saboia, sherpa do Brics para o próximo ano, destacou a importância da liderança brasileira em um momento de grandes desafios globais, com ênfase em sustentabilidade, desenvolvimento e avanços tecnológicos.
Durante a presidência brasileira, temas cruciais como mudanças climáticas, redução da pobreza, e governança da inteligência artificial estarão em destaque. O Brasil buscará promover o uso de moedas locais no comércio entre os países do Brics, reforçar a reforma da governança global e estabelecer um entendimento comum sobre o papel da inteligência artificial, considerada uma tecnologia disruptiva.
– A governança da IA ainda está em construção, mas é uma questão essencial. Queremos que o Brics contribua para uma visão compartilhada sobre como essa tecnologia deve ser regulamentada e utilizada –, afirmou Saboia.
A discussão sobre mudanças climáticas também ganha destaque devido à realização da COP-30, que ocorrerá em Belém no mesmo ano.
Expansão do Brics
Em 2023, na cúpula de Johannesburgo, o Brics anunciou sua ampliação com a adesão de seis novos membros: Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos. A Argentina, inicialmente convidada, optou por não integrar o grupo. O embaixador Saboia enfatizou que a expansão reflete o sucesso e o crescente interesse pelo Brics, reforçando sua representatividade entre os países do Sul Global e emergentes.
Além disso, o grupo definiu uma nova modalidade de associação para 13 países, incluindo Cuba, Bolívia, Indonésia e Nigéria, que participarão de reuniões ministeriais e da cúpula de 2025.
Desafios e metas
O Brasil enfrenta o desafio de integrar os novos membros e fortalecer o diálogo interno do grupo, mantendo o equilíbrio entre as diferentes realidades políticas, econômicas e culturais. A presidência brasileira buscará consolidar a expansão e fortalecer a influência do Brics como uma força estabilizadora e de construção no cenário global.
“Se você quer construir um mundo sustentável e melhor, o Brics precisa fazer parte desse processo”, destacou o embaixador.
Com mais de 40% da população mundial e representando 37% do PIB global, o Brics assume um papel estratégico em debates internacionais e na formulação de soluções para questões globais. A liderança brasileira será fundamental para moldar o futuro do grupo e sua contribuição para a governança global.
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