Os efeitos da guerra na Ucrânia no preço do trigo já recaem sobre o Rio Grande do Sul. Até o momento, o Estado registra dois aumentos garantidos para o preço da farinha na indústria, que totalizam cerca de 30%, segundo o Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria e de Massas Alimentícias e Biscoitos do Rio Grande do Sul (Sindipan-RS). Um dos reajustes foi de cerca de 15%, no último dia 14, e o outro, em torno de 15%, está previsto para 1º de abril.
Diante desse cenário, padarias, fábricas de pães, massas e biscoitos devem reajustar os preços dos produtos novamente em cerca de 15% a 20% a partir de 1º de abril, segundo o Sindipan. Algumas indústrias já realizaram repasses de valores, de acordo com o reajuste do dia 14, conforme a entidade. Parte dessas elevações acaba sendo repassada ao consumidor final.
O vice-presidente do Sindipan, Arildo Bennech Oliveira, destaca que a pressão desses aumentos em um ambiente com inflação e juro crescentes e queda de renda cria mais um problema.
— A gente está preocupado porque o preço mais caro também vai demandar menos consumo — pontua Oliveira.
O preço da tonelada do cereal subiu cerca de 20% no Estado nos últimos 30 dias fechados na última sexta-feira (18). Com isso, o valor do produto se aproxima dos R$ 2 mil por tonelada, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP). O levantamento mostra que o preço da tonelada do trigo estava em R$ 1.593,76 em 18 de fevereiro no Estado. Na última sexta-feira, esse montante fechou em R$ 1.901,73.
O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa, afirma que a compra de trigo de países vizinhos, como a Argentina, não soluciona o problema, pois não existe oferta maior do produto em razão de contratos já fechados. Barbosa destaca a participação dos dois países envolvidos no conflito do leste europeu na exportação do cereal. A Rússia ocupa a primeira colocação entre os maiores exportadores de trigo, e a Ucrânia, a quarta, segundo o dirigente. O presidente da Abitrigo salienta que isso tem forte impacto nas cotações internacionais, gerando efeito nos preços, que acaba respingando no Brasil.
GZH
