O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou que submeterá ao Conselho Nacional de Política Energética a proposta de ampliação do teor de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A deliberação ocorrerá na próxima reunião do colegiado de ministros, prevista para as próximas duas semanas.
O ajuste na formulação do combustível será processado diretamente pelas distribuidoras, sem exigir adaptações por parte dos consumidores finais no momento do abastecimento nos postos de combustíveis.
A iniciativa integra o planejamento estratégico do governo federal para atenuar a dependência externa de derivados de petróleo, cuja cotação internacional sofre pressões decorrentes dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio. Atualmente, o mercado nacional importa aproximadamente 15% do volume total de gasolina consumido no país.
Projeções técnicas do Ministério de Minas e Energia sinalizam que o incremento do biocombustível tem o potencial de substituir a importação de cerca de 450 milhões de litros de gasolina, aproximando o país da autossuficiência e otimizando a malha logística para o transporte de outros produtos, como o óleo diesel.
Setor automotivo pede cautela enquanto testes no diesel avançam
A definição do novo percentual foi chancelada pelo presidente da República após audiência com representantes da cadeia produtiva sucroenergética no Palácio do Planalto.
Embora o avanço nos estudos prévios permita uma elevação temporária pelo conselho regulador ainda este mês, a indústria automobilística manifestou ressalvas quanto à velocidade da transição.
Entidades do setor alertam para a necessidade de avaliações complementares na frota circulante do país, estimada em 60 milhões de unidades, devido à fatia de veículos e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina.
Em paralelo, o cronograma para elevar a inserção de biodiesel no óleo diesel de 15% para 16% foi temporariamente sobrestado pelo governo até a conclusão de ensaios mecânicos, que receberão um aporte de R$ 30 milhões em parceria com laboratórios oficiais da Agência Nacional do Petróleo.
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