Panambi obtém Indicação Geográfica para o Käsekuchen, tradicional torta de queijo alemã
Certificação concedida pelo INPI chancela o doce típico e projeta o patrimônio histórico e gastronômico do noroeste gaúcho
Publicado em 03/06/2026 às 09:00
Capa Panambi obtém Indicação Geográfica para o Käsekuchen, tradicional torta de queijo alemã

O município de Panambi, localizado na região noroeste do Rio Grande do Sul, alcançou um marco histórico para o fortalecimento de sua identidade cultural e econômica nesta terça-feira, 2. A localidade conquistou oficialmente o selo de Indicação Geográfica para o Käsekuchen, a tradicional torta alemã de queijo amplamente conhecida pelos moradores locais sob a denominação de kesco.

O reconhecimento técnico e a respectiva certificação territorial foram outorgados pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, autarquia federal vinculada ao Ministério da Agricultura.

O Käsekuchen genuíno elaborado nas confeitarias e lares panambienses configura-se como um bolo assado de forma artesanal, estruturado sobre uma base de massa flora de textura crocante e preenchido por um recheio denso composto prioritariamente por queijo fresco, ovos e açúcar.

O grande diferencial que confere a assinatura sensorial e as propriedades marcantes ao alimento é a utilização do Kässchmier, um tipo de queijo fresco de características semelhantes ao Quark, manufaturado de forma tradicional pelas linhagens de famílias de origem germânica estabelecidas na região.

Respondendo por cerca de metade do volume total da receita, este ingrediente assegura um paladar levemente ácido e uma textura granulada singular. A própria etimologia do termo evidencia as raízes do prato, onde, no idioma alemão, käse traduz-se como queijo e kuchen representa bolo. A fórmula culinária cruzou o oceano com as primeiras correntes migratórias e fixou-se na cultura regional por meio da transmissão oral entre as gerações.

O processo para a obtenção do registro de Indicação Geográfica foi iniciado em 2019, a partir de um edital do IFFar que procurava identificar produtos com este potencial. De acordo com a servidora do Campus Panambi, Ana Paula Agertt, o papel da instituição foi fundamental.

Ana Paula Agertt coordena as ações do IFFar ligadas ao reconhecimento do Bolo Quesco. A servidora explica que o apoio do Instituto Federal Farroupilha vai desde a identificação do potencial do produto, até a realização das pesquisas da origem do Kaseküchen e a qualificação do processo produtivo.

– Está sendo bem emocionante para nós. O pessoal da Associação [Aprokas] chorou de emoção. Todos sabem que foi um trabalho longo –, relata Ana Paula Agertt. A servidora também destaca que a obtenção do IG alimenta o profundo orgulho já sentido pelos panambienses em relação à sua tradicional iguaria.

Ao longo dos cinco anos de trabalho para a obtenção da IG, a ação foi desenvolvida por meio de diversos projetos de extensão e pesquisa do IFFar. O trabalho envolveu alunos, professores e técnicos-administrativos do Campus Panambi, além, é claro, da comunidade panambiense envolvida na cadeia produtiva do Kaseküchen.

A proposta foi inscrita e aprovada em dois editais de fomento da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC). Além disso, o Kaseküchen será tema de um episódio de uma série de documentários produzidos pelo MEC sobre IGs nos Institutos Federais.

Bolo tem origem na região central da Alemanha

O bolo tem origem na região central da Alemanha, nos atuais estados da Baviera, Hessen e Baden-Württemberg. O ingrediente principal do Kaseküchen é o Kässchmier, um queijo fresco cremoso semelhante ao Quark. O termo vem do idioma alemão: Käse, quer dizer queijo; e schmier, relaciona-se com algo que é “espalhável”.

Os documentos do INPI descrevem o bolo como sendo composto de “uma base de massa flora de cor caramelo, untuosa, doce, de consistência dura e crocante”; e de um recheio de queijo fresco de leite de vaca cru, ovos e açúcar com sabor “adocicado e levemente ácido”, e textura “granulosa e semi-mole”.

O INPI também destaca que o Bolo Quesco é patrimônio imaterial de Panambi, sendo reconhecida oficialmente como “a cidade do Kaseküchen”. O município comemora, em 24 de julho, o Dia do Kaseküchen. A data é reconhecida no Calendário de Eventos das datas oficiais e comemorativas de Panambi e do estado do Rio Grande do Sul.

O município de Panambi produz mensalmente cerca de 4 toneladas de Kaseküchen, dos quais 11% tem como destino outras cidades. A cadeia produtiva é majoritariamente familiar, com envolvimento de muitos membros da família. O bolo é responsável por 21% da renda destas famílias.

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