Foto de Cleiton Oliveira dos Santos
O início do período de baixas temperaturas no Rio Grande do Sul mobiliza a adoção de cuidados redobrados por parte dos produtores dedicados à piscicultura. Como os peixes são animais pecilotérmicos e não possuem a capacidade de regular a própria temperatura corporal, as oscilações térmicas típicas do outono e do inverno impactam diretamente o seu desenvolvimento biológico.
A faixa térmica ideal para o cultivo da maioria das espécies varia de 24°C a 32°C, de modo que o resfriamento brusco dos mananciais desacelera o metabolismo dos plantéis, reduz o consumo de ração e eleva a vulnerabilidade a patologias, demandando a intervenção da assistência técnica.
Para mitigar potenciais prejuízos nas propriedades rurais, a Emater/RS-Ascar intensificou as diretrizes de Extensão Rural focadas no manejo preventivo de inverno. A orientação técnica inicial sugere a redução da densidade populacional nos viveiros e o ajuste no suporte alimentar antes da chegada do frio extremo, utilizando rações de maior densidade nutricional para fortalecer o sistema imunológico dos animais.
Paralelamente, os piscicultores devem monitorar parâmetros de qualidade da água, incluindo o potencial hidrogeniônico e os níveis de oxigênio dissolvido, adequando a oferta de alimento ao comportamento e à capacidade de absorção demonstrada pelos peixes.
Outro fator crítico no período envolve o monitoramento sanitário contra infecções secundárias por fungos e bactérias, que aproveitam a baixa imunidade dos lotes sob estresse térmico. A recorrência de dias nublados no Estado também acende o alerta para a sobrevivência dos fitoplânctons, microalgas responsáveis pela oxigenação e purificação dos tanques através da fotossíntese.
Em cenários reais de produção, como no cultivo de tilápias em Glorinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, produtores utilizam estratégias como o aumento da profundidade dos tanques de 1,5 metro para 2 metros no inverno, garantindo uma camada de água aquecida no fundo para a preservação do rebanho e a manutenção do fornecimento aos frigoríficos locais.
Zoneamento de espécies e tolerância ao clima gaúcho
O planejamento anual da atividade envolve a escolha assertiva das variedades de pescado conforme a resistência climática. Entre as espécies nativas do território gaúcho, destacam-se o jundiá, a traíra, o lambari, o grumatã, o dourado e a piava, sendo que o jundiá apresenta a maior tolerância natural ao frio extremo.
– Planejar a piscicultura durante todo o ano é fundamental para antecipar os efeitos das baixas temperaturas, com foco na sanidade dos peixes, na qualidade da água e na rentabilidade da produção. Sem esse planejamento, o inverno pode trazer perdas significativas aos produtores – afirmou a extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Laila Simon.
No grupo das espécies exóticas, as carpas demonstram bom comportamento produtivo sob baixas temperaturas, ao passo que a tilápia, por sua origem tropical, exige protocolos rigorosos de proteção, incluindo a suspensão total da alimentação quando os termômetros da água registrarem marcas inferiores a 16°C.
Publicado por
