Semeadura das culturas de inverno inicia sob cautela climática e econômica no Rio Grande do Sul
Informativo da Emater aponta tendência de redução na área de trigo e cevada, enquanto canola expande e colheita de verão atinge fase final
Publicado em 22/05/2026 às 09:00
Atualizado em 22/05/2026 às 09:03
Capa Semeadura das culturas de inverno inicia sob cautela climática e econômica no Rio Grande do Sul

Foto de Divulgação Emater/RS-Ascar de Independência

O início do plantio das culturas de inverno no Rio Grande do Sul ocorre de forma incipiente, alinhado à abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático. Conforme o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, os produtores demonstram cautela devido aos altos custos de produção, restrições no crédito rural, limitações de seguro e ao risco climático associado ao fenômeno El Niño no inverno e na primavera.

Essa conjuntura projeta uma tendência de redução na área cultivada do trigo, que vem sendo substituído por alternativas como canola, plantas de cobertura e milho precoce, além de registrar um menor uso de sementes fiscalizadas.

Os dados consolidados do IBGE apontam que, na safra de 2025, o Estado cultivou 1.166.163 hectares de trigo, gerando uma produção de 3,45 milhões de toneladas.

O plantio da aveia branca avançou nas áreas liberadas pelas culturas de verão, registrando antecipações em algumas regiões para viabilizar a posterior semeadura precoce da soja. A estimativa é de manutenção da área do ciclo anterior, que somou 393.135 hectares.

No segmento da canola, a implantação ocorre dentro da janela preferencial, apresentando tendência de expansão de área em relação aos 174.394 hectares de 2025, motivada por atratividade econômica frente aos cereais tradicionais.

Já a cevada apresenta perspectiva de retração de área, mesmo com a garantia de contratos com a indústria cervejeira, face ao temor de que o excesso de chuvas previsto para o período de maturação prejudique a qualidade industrial exigida para o malte.

Encerramento das safras de verão e balanço de produtividade

No panorama das culturas de verão, a colheita da soja atingiu 98% da área total de 6.624.988 hectares, beneficiada pelo tempo seco que reduziu a umidade dos grãos. O rendimento médio estadual ficou estimado em 2.871 kg/ha, embora com grande variabilidade regional decorrente de estiagens pontuais entre janeiro e fevereiro.

A colheita do milho grão alcançou 96% da área de 803.019 hectares, com produtividade média de 7.424 kg/ha, registrando uma desaceleração no desenvolvimento das lavouras tardias em razão das baixas temperaturas e menor radiação solar.

Por fim, o milho destinado à silagem atingiu 97% da colheita nos 345.299 hectares projetados, apresentando perda de qualidade bromatológica em materiais tardios devido ao frio e à dessecação antecipada.

A colheita do feijão de segunda safra também progrediu com boa qualidade de grãos em 11.690 hectares. Na área da orizicultura, o Instituto Riograndense do Arroz e a Emater confirmaram a conclusão técnica da colheita em 891.908 hectares, consolidando altos índices de rendimento com uma produtividade projetada em 8.744 kg/ha.

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Almir Felin