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As farmacêuticas Moderna e MSD divulgaram, nesta semana, resultados históricos sobre a vacina experimental contra o câncer de pele, mRNA-4157 (V940). Após cinco anos de monitoramento, o estudo de Fase 2 demonstrou que a combinação do imunizante personalizado com o medicamento Keytruda reduziu em 49% o risco de recorrência da doença ou morte em pacientes com melanoma de alto risco (estágios III e IV), em comparação ao tratamento apenas com o imunoterápico.
O anúncio é considerado um marco na oncologia por comprovar que a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) pode gerar uma memória imunológica sustentada contra tumores sólidos. A terceira e última fase dos testes clínicos já está em andamento e tem previsão de conclusão para 2030, expandindo os testes para uma variedade maior de tipos de tumores.
Como funciona a vacina personalizada
Diferente das vacinas preventivas comuns, a mRNA-4157 é uma vacina terapêutica produzida individualmente para cada paciente. O processo segue etapas rigorosas de biotecnologia:
Sequenciamento Genético: Após a cirurgia de retirada do tumor, os médicos sequenciam o DNA das células cancerígenas e do tecido saudável do paciente.
Identificação de Neoaantígenos: Algoritmos de inteligência artificial identificam mutações específicas (neoantígenos) presentes apenas no tumor daquele indivíduo.
Produção do mRNA: A vacina é codificada com as instruções para até 34 dessas mutações exclusivas.
Treinamento Imunológico: Uma vez injetada, a vacina "ensina" as células T do sistema imunológico a reconhecer e destruir qualquer célula que apresente essas assinaturas genéticas, evitando que o câncer retorne.
O impacto no tratamento do melanoma
O melanoma é a forma mais agressiva de câncer de pele devido ao seu alto potencial de metástase. No Brasil, embora represente apenas 4% dos casos de tumores de pele segundo o INCA, ele responde pela maioria das mortes por essa patologia.
A Dra. Marjorie Green, chefe de oncologia da MSD, destacou que o potencial de longo prazo demonstrado pelo acompanhamento de cinco anos oferece uma nova esperança para pacientes que, mesmo após a cirurgia, vivem com o medo constante da reincidência. O perfil de segurança da combinação foi mantido estável, sem novos efeitos colaterais graves relatados no período.
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