Governo e Fetag discutem medidas para mitigar impactos da seca
111 municípios gaúchos já solicitaram reconhecimento de situação de emergência devido à estiagem
Publicado em 18/02/2025 às 09:06
Atualizado em 18/02/2025 às 09:10
Capa Governo e Fetag discutem medidas para mitigar impactos da seca

Foto de Vitor Rosa/Secom - Na reunião, foram discutidas soluções para agricultura familiar e o agravamento do endividamento dos produtores

As chuvas que atingem o Rio Grande do Sul desde o último final de semana trouxeram alívio momentâneo das altas temperaturas, mas não foram suficientes para mitigar os impactos da estiagem sobre a produção agropecuária do Estado. Diante desse cenário, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) realizou, nesta segunda-feira, 17, uma reunião com autoridades estaduais e federais para discutir soluções voltadas à sustentabilidade da agricultura familiar e ao agravamento do endividamento dos produtores. 

O encontro contou com as presenças do governador Eduardo Leite, dos secretários de Desenvolvimento Rural, Vilson Covatti, da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Clair Kuhn, de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo; do presidente da Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS-Ascar), Luciano Schwerz, além de deputados estaduais e federais, senadores e representantes do governo federal. 

Leite reafirmou que o Rio Grande do Sul é um dos Estados mais afetados por eventos climáticos adversos e defendeu a necessidade de medidas emergenciais e estruturantes. "Todos os estudos atestam que, ao longo dos últimos anos, o Rio Grande do Sul é, de longe, o Estado mais prejudicado em sua produção por eventos climáticos adversos. É urgente um olhar especial aos produtores gaúchos. Vamos trabalhar com a bancada federal em Brasília para rediscutir portarias e critérios que restringem o acesso ao Proagro e para apoiar a proposta de securitização de dívidas", afirmou. 

O governador destacou ainda que 111 municípios gaúchos já solicitaram reconhecimento de situação de emergência devido à estiagem, dos quais 33 obtiveram homologação estadual. Leite também destacou as ações do governo que já estão em curso.

– Do lado do governo estadual, seguiremos atuando com Programa de Irrigação, que custeia até R$ 100 mil para projetos na área, e na modernização da legislação para destravar iniciativas de reservação de água. Com recursos do Plano Rio Grande, vamos lançar, em breve, um amplo programa de recuperação de solos. E ainda vamos avaliar tecnicamente as possibilidades de apoio a beneficiários do Troca-Troca de Sementes e do Programa de Sementes e Mudas Forrageiras –, acrescentou o governador.

 
Leite destacou a atuação do Estado no desenvolvimento do Programa de Irrigação e na modernização da legislação - Foto: Vitor Rosa/Secom

Covatti destacou a importância da articulação entre governo, parlamentares e entidades para implementar soluções efetivas, com destaque para o programa focado na recuperação do solo e na resiliência climática que deve ser lançado nos próximos dias. "Estamos trabalhando pra desenvolver uma ação que, de fato, contribua para o reestabelecimento da capacidade produtiva dos nossos agricultores. Temos que estar todos na mesma página – o governo, os deputados, as entidades e os representantes municipais – com a finalidade de concretizar esse programa como uma ação de Estado", ponderou.  

Kuhn ressaltou que o Estado tem um edital aberto para projetos de irrigação, com incentivo de 20% do valor do projeto, limitado a R$ 100 mil por beneficiário. "Nosso principal objetivo é aumentar a área irrigada do Estado e garantir produtividade aos produtores", frisou. Além disso, a secretaria também trabalha na perfuração de poços, escavação de açudes e instalação de cisternas para mitigar os impactos da seca.  

O presidente da Fetag-RS reforçou que o objetivo da reunião foi sensibilizar os gestores para a realidade dos agricultores. "O que estamos pedindo aqui não é custo para o governo, e sim investimento. Precisamos de um trabalho forte das entidades junto ao governo do Estado para viabilizar as ações de manejo de solo que estamos construindo com a SDR", destacou. Ele também enfatizou a necessidade de investimentos em energia elétrica para o interior do Estado. 

Demandas apresentadas pela Fetag-RS 

Crédito rural 

  • Prorrogação automática das operações de crédito rural vinculadas ao Pronaf e ao Pronamp por 120 dias;

  • Implementação da prorrogação das operações de crédito, por no mínimo 12 anos, com dois anos de carência e taxas de juros de 4% para o Pronaf e de 6% para o Pronamp. 

Seguro agrícola 

  • Revogação de resoluções que limitam a cobertura do Proagro, como a exigência do Cadastro Ambiental Rural (CAR);

  • Implementação do programa Desenrola Rural para operações vencidas e a vencer do Pronaf e do Pronamp, estendendo o benefício para além dos produtores rurais de assentamentos. 

Renegociação de dívidas 

  • Apoio ao projeto de securitização em tramitação no Congresso Nacional, que prevê renegociação de dívidas acumuladas em até 20 anos. 

Medidas estruturantes 

  • Ampliação dos programas de irrigação para pequenos produtores,

  • Adoção de práticas de manejo e conservação do solo e da água;

  • Melhorias na infraestrutura de energia elétrica trifásica. 

Reivindicações 

  • Anistia das parcelas do programa Troca-Troca de Milho e do programa Forrageiras. 

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Almir Felin