Foto de Arquivo LA+
Pelo terceiro ano seguido, os registros de acidentes em vias urbanas, rodovias estaduais e federais subiram no Rio Grande do Sul. É o que indicam os dados divulgados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RS). Entre os meses de janeiro e maio de 2023, em média, uma pessoa morreu no trânsito a cada cinco horas no Estado.
No total, 696 pessoas perderam a vida nesse período, com 1.062 veículos envolvidos em acidentes fatais, de acordo com o Diagnóstico da Acidentalidade Fatal no Trânsito. As vítimas notificadas nesse período representam aumento de 2,8% em relação ao ano passado, uma tendência de agravamento que se mantém desde 2021.
De acordo com a diretora institucional do Detran, Diza Gonzaga, uma das hipóteses que ajudam a explicar esse crescimento no número de óbitos, é a retomada das atividades econômicas e sociais após o período mais crítico da pandemia de covid-19.
Diza salienta que, apesar da tendência de piora nos dados oficiais, que levam em conta mortes confirmadas até 30 dias depois da ocorrência dos acidentes, o Rio Grande do Sul ainda está em situação menos desconfortável em comparação a outras localidades do Brasil. O Estado ocupa a oitava posição no país no ranking das menores mortalidades no trânsito por Estado, com um índice de 13,4 vítimas por cem mil habitantes.
A maioria dos acidentes fatais se dá por colisão, correspondendo a 37,1% dos casos. Mortes por atropelamento vem em seguida, com 15,6% do total de vítimas. Em relação aos veículos envolvidos em acidentes com morte, 34,7% são automóveis, seguido por motos, caminhão e caminhonete. Os dados também revelam que 187 das mortes foram de condutor, correspondendo a 26,9% das vítimas.
Os piores índices de acidentalidade no Estado seguem sendo aos finais de semana. No entanto, o dia com maior número de registro de mortes passou de domingo para o sábado. Os três momentos que mais concentraram óbitos agora são as noites de sábado, com 54 vítimas, seguidas pelo período noturno das sextas e dos domingos, com outras 44 mortes em cada caso.
Fatores como menor visibilidade, consumo de álcool ou cansaço ao volante, além do excesso de velocidade e imprudência, podem estar relacionados a esse cenário.

PRF põe em prática o plano emergencial para conter mortes
Em virtude do aumento nos índices de acidentes e mortes nas estradas do Rio Grande do Sul, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) lançou um plano emergencial para tentar reduzir as estatísticas de violência ao volante no Estado. A iniciativa faz parte de uma estratégia nacional para salvar vidas nas estradas, mas é um dos Estados em estágio mais avançado.
As unidades regionais da corporação já deram início a um processo de mapeamento de trechos de 10 quilômetros de extensão com alta concentração de vítimas — entre os quais se destaca o perímetro urbano da BR-116, entre Novo Hamburgo e Porto Alegre.
Além do aperto na fiscalização, com foco em comportamentos como excesso de velocidade e ultrapassagens irregulares, a estratégia da PRF prevê outros dois eixos. Um deles é identificar possíveis melhorias de infraestrutura a serem feitas e apresentá-las a municípios (em casos como iluminação), ao Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit) e empresas concessionárias como sugestões de intervenções capazes de aumentar o grau de segurança dos usuários. Outra iniciativa será ampliar ações de conscientização voltadas para públicos como os motociclistas, vítimas frequentes no trânsito em razão da vulnerabilidade a que estão naturalmente expostos.
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