Foto de Patrick Rodrigues / NSC Total
Ao menos quatro crianças morreram, e outras quatro ficaram feridas, em um ataque a creche de Blumenau, em Santa Catarina (SC), na manhã desta quarta-feira, 5. Um homem, armado com uma machadinha, invadiu a escola infantil Cantinho do Bom Pastor, localizada na Rua Caçadores, bairro Velha, no município. O suspeito de cometer esse crime, um homem de 25 anos, fugiu da escola e se apresentou em um quartel da Polícia Militar. Desde o Massacre na escola em Realengo (RJ), em 2011, até o chocante caso em Blumenau nesta quarta, se assemelham mutualmente fatos. De 2002 até 2023, segundo levantamento divulgado recentemente por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o país registra 24 ataques às escolas. Já nos últimos 12 anos, o Brasil teve 10 atentados a creches e escolas. Na última semana de março, um aluno esfaqueou uma professora, em sala de aula, em São Paulo.
Com esses números de ataques as escolas vêm a seguinte pergunta: O que o Caso em Blumenau pode nos servir de alerta? Para isso, trazendo esse triste incidente, ouvimos opiniões de diversas autoridades da área da educação e segurança pública para sabermos os impactos desse caso para região.
Alerta x alarde
A influência da mídia nos casos de grande repercussão no Brasil. Quando se é transmitida uma notícia, uma realidade dos fatos começa a ser construído. Por sua inserção, o peso de uma informação transmitida pode dar o efeito contrário. A espetacularização midiática de casos de repercussão nacional, pode, sim, influenciar outras pessoas cometam os mesmos delitos. É o que pensa Aline Dequi Palma, responsável pela 14ª Delegacia de Polícia Regional do Interior (14ª DPRI). Para delegada Aline, a divulgação deste tipo de ocorrência necessita todo o cuidado possível porque caso o contrário, a espetacularização midiática pode “encorajar” outras pessoas a cometer esses tipos de ataques.
— Estou chocada com esse crime terrível. Como policial civil, sinceramente, acho que não devemos dar muita ênfase nesses casos porque pela nossa experiência, isso pode despertar e incentivar outros que já estejam com a mesma ideia. Como Policial Civil, me sinto extremamente incomodada e sentida, quando acontecem casos assim, com tamanha crueldade — disse Aline Dequi Palma.
O Tenente-Coronel do 37º Batalhão de Polícia Militar (37ºBPM), Carlos Alberto Cardoso de Aguiar Júnior, tem a mesma linha de raciocínio quanto a estes casos envolvendo ataques às escolas. Após crime ocorrido em Saudades (SC), em 2021, fez com que, o 37ºBPM, buscasse conversar com as prefeituras, para estreitar ainda mais os lanços da segurança pública e escolas da região de abrangência.
— Nesse momento, como policiais e responsáveis pela segurança pública, precisamos colocar a razão na frente da emoção. Não só em razão esse caso, mas do anterior, nós intensificamos o monitoramento nas escolas fazendo visitas e palestras. Sabemos que fatos como esses, demandam de outros critérios para evitar. Nesse caso, essa pessoa pulou o muro para atacar essas crianças, bem como, a divulgação desse caso, pode até incentivar outras pessoas a cometer este tipo de delito. Pedimos à comunidade escolar, que qualquer movimento suspeito, para entrar em contato com as autoridades policiais. Todos os mecanismos operacionais são válidos para evitar uma tragédia — disse Tenente-Coronel Aguiar.
Violência nas escolas
Os números de atos violentos nas escolas no Brasil aumentaram nos últimos 21 anos, sendo que, os números de atentados cresceram em 11 anos. Para coordenadora da 20ª Coordenadoria Regional de Educação (20ª CRE), Jogelci do Carmo, o combate à violência dentro e fora das escolas já é trabalhada na região.
— Isso é um ponto muito caro para nossa educação, a qual é a violência dentro e fora das escolas. Na 20ª CRE, atuamos com MPRS, autoridades policiais, nas quais todos ficam atentos a qualquer movimento nas escolas da região. Criamos novos organogramas, os núcleos compostos por psicólogas e psicopedagoga para acompanhar casos de violência nas plataformas CIPAVE+ ou depressão. A gente fica bastante apreensivo com esse caso em Blumenau e estamos preparando os profissionais para ficarem atentos a essa situação. O trabalho em rede faz com que fiquemos atentos a toda essa situação — disse Jô do Carmo.
O Complexo Luz e Alegria de Comunicação, seguindo a sua linha editorial de não divulgar fotos, vídeos das vítimas deste fato. Da mesma forma, que não iremos divulgar fotos do autor desse crime, por entender que isso serviria como uma espécie de "troféu" obtido pelo homem que cometeu esse bárbaro massacre, em Blumenau, pelo simples fato de que isso, poderia incentivar outras pessoas a praticarem esse tipo de delito. Se você, leitor(a) ou ouvinte ver algum tipo de vídeo ou fotos deste crime nas redes sociais, denuncie.
Publicado por
