Parkinson e a Odontologia do cuidado
O tremor típico da Doença de Parkinson é o sintoma inicial da doença
Publicado em 02/02/2023 às 13:26
Atualizado em 02/02/2023 às 13:29
Capa Parkinson e a Odontologia do cuidado

Degenerativa, crônica, progressiva e de curso inexorável, a doença de Parkinson ocorre, geralmente, em pessoas acima de 65 anos. Nesses pacientes, o sistema nervoso sofre degeneração em uma região do cérebro chamada substância negra e, consequentemente, há deficiência de dopamina, neurotransmissor que possui a função de controlar os movimentos finos e coordenados das pessoas.

O tremor típico da Doença de Parkinson é o sintoma inicial da doença. Além disso, esses pacientes apresentam uma rigidez constante. Isso é explicado também pela ausência de dopamina no organismo, que deixa de enviar a ordem aos músculos para relaxar, levando a quadros de dor, pois a amplitude dos movimentos fica limitada.

Uma discinesia também é observada, especialmente uma lentidão nos movimentos, frequentemente envolvendo a musculatura orofacial.

Além dos sintomas motores apresentados, também pode vir a ter diversos sintomas não-motores de causas neurológicas, como: demência, depressão, ansiedade, alucinações, alterações no sono, raciocínio lento, etc.

– À medida que a doença progride, o paciente perde a capacidade de realizar com precisão os movimentos da escovação e a tarefa tem que ser assumida pelo cuidador ou familiar. Alguns pacientes podem apresentar tremor em mandíbula e cabeça, rigidez de face e nuca que limitam a abertura de boca e que somado aos tremores em membros podem dificultar ainda mais sua higiene diária –, afirmou o cirurgião oral, Matias Korsack. 

Por todas essas impossibilidades, a frequência de visitas ao cirurgião-dentista deve ser aumentada, com intuito não só de manter a higiene, mas também acompanhar os trabalhos existentes na boca do paciente e tratar as novas doenças bucais.

– Esses pacientes podem apresentar como novas doenças, adquiriras após diagnóstico do Parkinson, dor orofacial, desconforto na Articulação Temporomandibular (ATM), fratura dental, trauma dos tecidos moles, deslocamento de restaurações e falta de controle salivar. Vale lembrar ainda, que pelo menos 75% desses pacientes apresentam algum tipo de alteração de voz ou na fala –, ressaltou Korsack.

Além dos aspectos físicos, visando saúde bucal, mastigação, fonação e deglutição adequadas, cabe ao dentista trabalhar o lado emocional do paciente. A incapacidade progressiva de realizar tarefas cotidianas simples afeta com frequência a autoestima do paciente e os quadros de depressão são comuns. Logo, o profissional deve prestar a sua contribuição em valorizar o ser humano de uma forma geral e em particular à saúde e estética da boca e dos dentes preservando sua função o máximo de tempo possível diante do quadro.

Publicado por

Foto Almir Felin
Almir Felin
Fotos