Corsan: Como impedir a venda?
Funcionários de carreira da entidade relatam período que antecede possibilidade de privatização
Publicado em 22/11/2022 às 15:27
Capa Corsan: Como impedir a venda?

Se de um lado, o governo do estado comandado por Eduardo Leite (PSDB) tem agora “a faca e o queijo na mão” no que diz respeito à privatização, por outro lado, os funcionários de carreira da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), estão preocupados com a situação de venda da entidade que deve se concretizar até o final de 2022.  De acordo com o jornal Valor Econômico, a tendência, é de que o leilão da Corsan ocorra até dezembro. A desestatização da entidade deve ser no primeiro dia do novo governo de Leite, apesar de boa parte dos municípios não concordarem com a venda da Corsan. 

O governo estadual tem um prazo legal para viabilizar essa concessão. Por sua vez, o Sindiágua-RS tenta impedir a venda da Corsan novamente junto ao Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS). O sindicato alega que ausência de audiência pública por conta da falta de contraponto para ouvir os prefeitos de todo o estado. Segundo o presidente do sindicato, Arilson Wünsch, o Sindiágua vai tentar vetar novamente a realização desta nova possibilidade de venda. “A Assembleia Legislativa não tem muito o que fazer a partir de agora. Todos os ritos foram realizados. O que vai mudar depois do dia 31 de dezembro, é que os municípios que assinaram aquele aditivo com a Corsan na ilusão de ganhar alguma ação, as cidades que assinaram aquele contrato, estes, não ganhar nada. Tem uma pressa do atual governo. Nós vamos fazer a resistência jurídica junto ao TCE-RS e também vamos tentar junto ao governo federal eleito para freiar essa venda”, disse Wünsch. 

Proposta de governo será combatida

Depois de ter a negativa junto ao TCE-RS, o governo do estado informou ainda em julho deste ano, que decidiu mudar o processo de privatização da Corsan. A alteração tem como objetivo de substituir a Oferta Pública Inicial (IPO, sigla em inglês) de oferta de ações na bolsa por uma venda integral da companhia. O anúncio foi feito pelo então governador Ranolfo Vieira Júnior, durante coletiva de imprensa no Palácio Piratini. Segundo o funcionário de carreira da Corsan e delegado do Sindiágua de Frederico Westphalen, Gustavo Minuzzi, explica que essa mudança de venda total da entidade será a “última cartada” do governo para viabilizar a venda até o fim deste ano. “Eles (governo do estado) não superaram a questão da IPO que estava inconsistente. Depois disso, a dedicação foi por vender 100% da companhia. Eles trabalham internamente para no dia 15 de dezembro com a abertura dos envelopes das propostas para no dia 20 de dezembro vender a Corsan. Então ocorrer o parecer favorável do TCE-RS, a Corsan terminará 2022 vendida para a iniciativa privada. 

Ponto e contraponto 

Em São Borja a privatização da água e do saneamento básico não deu certo. O município tem apresentado muitos problemas com a empresa que foi contratada para realizar esse tipo de trabalho. Recentemente, a prefeitura do município, realizou uma audiência pública para apresentar à comunidade relatório sobre as principais deficiências neste sistema. Mas afinal, vale a pena privatizar a Corsan e enfrentar este tipo de problema? Na edição desta quarta-feira, 23, LA+, Marcelo Spilki, secretário executivo de Parcerias na Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG) do Rio Grande do Sul, explicará aos leitores o porquê é necessário privatizar a Corsan, mesmo ela obtendo lucro. 

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