A melhor coisa para nós é amar Jesus!
COLUNA DAS RIQUEZAS DA NOSSA FÉ
Publicado em 12/03/2023 às 21:04h
Capa A melhor coisa para nós é amar Jesus!

"Dá-me de beber"

O pedido surpreendente de um Deus sedento do nosso amor!

 

Olá, Arildo!
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

 

O Evangelho deste domingo — já estamos no terceiro da Quaresma! — traz o famoso episódio da samaritana, dotado de grande riqueza espiritual.

 

Cristo, em viagem do sul da Judeia para o norte da Galileia, tem de passar pelo território da Samaria. Cansado, sob o Sol do meio-dia, Ele se senta à beira de um poço, mas sem ter como matar a sede…

 

Aqui temos já um grande mistério: Deus, a fonte da vida, o Logos que dá ser ao universo, extenuado e sedento!

 

À luz disso, ninguém pode olhar para o céu e dizer: "Senhor, Vós não sabeis o que estou sentindo; Senhor, Vós não conheceis os meus sofrimentos". Não, muito pelo contrário: Cristo veio sofrer o que sofremos, do cansaço à sede, e da sede à morte.

 

O Evangelho prossegue: Venit mulier de Samaria haurire aquam — "Veio uma mulher da Samaria pegar água".

 

Também eu e você, Arildo, vamos ao poço da vida pegar água; quer dizer, todos desejamos ser felizes.

 

De fato, o que estava procurando a samaritana ao buscar água? A felicidade, como todos nós. Por que vamos à igreja, por exemplo? Porque queremos ser felizes. Nós buscamos em Deus uma fonte de água viva, alguém que alivie o nosso cansaço e sacie a nossa sede. Quem de nós vai à igreja sem a intenção de rezar e de esperar algo de Deus?

 

Ora, nós esperamos muito de Deus. Todos lhe apresentamos nossos cântaros vazios para que Ele o preencha, ora de saúde, ora de união na família, ora de curas, ora de alívios.

 

Então esta mulher samaritana somos nós, a humanidade inteira, que vamos ao poço de Deus buscar água.

 

E, no entanto — eis aqui a aparente contradição do Evangelho de hoje —, a samaritana foi buscar água, mas é Jesus que diz a ela: "Dá-me de beber".

 

Ou seja, nós vamos à igreja pedir graças a Deus, e é Deus quem, crucificado e cansado, com sede e com fome, nos diz: "Dá-me algo de ti, dá-me de beber, entrega-te a mim".

 

Isso não só surpreende como pode até nos "irritar" de algum modo… "Meu Senhor e meu Deus, eu vim à igreja rezar, esperando encontrar água na fonte de água viva: e Vós, que nem sede passais, pedis a mim: Da mihi bibere! Ora, Senhor, Vós não precisais de nada, muito menos da minha água!"

 

Eis um grande mistério, Arildo: Deus se faz nosso pedinte. É uma das maiores demonstrações de seu amor a nós.

 

Sim, pois se Deus não nos pedisse nada, daria provas de que não nos ama tanto quanto nos poderia amar… Demonstraria assim indiferença ou, quando menos, um amor pouco perfeito. Mas Ele nos ama, de modo perfeito, e por isso nos pede coisas!

 

Nesta Quaresma, portanto, a Igreja nos convida a mudar de posição. Olhemos para Jesus crucificado. Na igreja que frequentamos certamente há um crucifixo. Pois bem, lembremo-nos o que Ele disse pendente na Cruz: Sitio, isto é, "Tenho sede". É a mesma coisa que Ele disse à samaritana: "Dá-me de beber", pois Jesus tem sede do nosso amor.

 

Entenda, Arildo: Deus é amor eterno, infinito e perfeito; não precisa de outros amores. Ele não é "carente" de amor. No entanto, Ele se faz carente no sentido profundo da palavra, isto é, faz-se necessitado, pobre, miserável, cansado, sedento, crucificado, carente de consolação e de amor…

 

Mas por quê?

 

Porque o seu grande desejo é a nossa salvação e a nossa felicidade.

 

Porque a melhor coisa para nós é amar Jesus.

 

Porque Ele sabe que só serão felizes os que o amarem.

 

Pois quem ama Jesus diviniza-se. Nós somos aquilo que amamos!

 

— Se tu, samaritana, tiveste já cinco maridos, e o sexto nem teu é, não passas de uma prostituta a cair de abismo em abismo, de amor em amor, de leito em leito, de cama em cama, de miséria em miséria. Se amas unicamente as coisas carnais, homens que apodrecem, tu mesma és podre; se amas unicamente o passageiro, o efêmero, o que evapora, tu és como cinza e pó.

 

Sim, Arildo, o amor tem o poder de nos nivelar com a coisa amada. Quem ama realidades elevadas, eleva-se; quem ama realidades baixas, rebaixa-se.

 

Por isso a Igreja diz em sua liturgia: Sursum corda!, isto é, "Corações ao alto!"

 

Mas como se trata de coisas altas e elevadas, isto é, fora do nosso alcance, Deus mesmo desceu do Céu. Ele, que de nada precisa, se faz faminto e sedento, e me estende a mão dizendo: "Dá-me de beber".

 

Ao fazer esse pedido à samaritana, Jesus, na verdade, estendeu-lhe a mão para resgatá-la do abismo em que ela caíra. O "dá-me de beber" é o elevar-se daquela mulher do poço da prostituição e de um coração cigano.

 

Sim, pois como é o coração da samaritana quando Jesus a encontra? Como um nômade, é um coração que não tem onde morar, por isso bate de porta em porta, pula de leito em leito.

 

Jesus lhe diz, porém, que ela finalmente encontrou o seu lugar. A mulher tenta argumentar: "Como é que tu, sendo judeu, me pedes de beber?", ao que Ele responde: "Ah, se conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’".

 

Queremos, pois, amar Jesus? Para isso, precisamos conhecê-lo, pois ninguém ama o que não conhece. Procuremos Jesus, e Ele se dará a conhecer a nós, como fez com a samaritana.

 

De início, Ele falou a ela quase que por enigmas; mas, à medida que a conversa avançava, a mulher foi se dando conta de que Jesus era um homem de Deus: "Vejo que és profeta". Até que Ele mesmo lhe revelou sua identidade: o Messias, a fonte de água viva, "sou eu, que", sedento e cansado, "estou falando contigo".

 

Eis o maravilhoso Evangelho deste domingo, Arildo!

 

Sejamos agora bem práticos.

 

O que fazer?

 

Em primeiríssimo lugar, mudar de atitude diante de Deus, deixar de buscá-lo apenas para haurir água.

 

Invertamos a posição! (Parece absurdo, mas foi o que Jesus mesmo fez no Evangelho ao dizer: "Dá-me de beber".) Demos algo a Deus; ou melhor, entreguemo-nos a Ele! Jesus nos diz: "Dá-me de beber" porque, se o amarmos, a graça do Espírito Santo irá nos transportar para alturas divinas, onde beberemos da fonte de água viva que sacia para a eternidade.

 

Uma forma concreta de fazer isso é amar Jesus nas pessoas ao nosso redor, é ver o Crucificado presente no marido, na mulher, nos filhos, no companheiro de trabalho, no amigo, nos que têm necessidade da nossa generosidade, da nossa doação, da nossa paciência e da nossa escuta, nos que pedem o que não estamos obrigados a dar…

 

Neles todos, Arildo, ou melhor, em cada um deles, é Jesus Cristo quem lhe diz: "Dá-me de beber". — Oxalá ouvíssemos hoje a sua voz! Não fechemos a Ele os nossos corações!

 

Que Deus abençoe você e lhe conceda a graça de uma santa semana!