No 2º Domingo do Tempo Comum A, a Liturgia da Palavra nos convida a refletir sobre um tema fundamental para a nossa vida, como cristãos: o chamado divino à santidade e ao testemunho no cotidiano.
As leituras nos mostram como Deus nos escolhe para sermos luz no meio das trevas, respondendo com generosidade à sua vontade e reconhecendo Jesus como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. É um convite a viver essa vocação não em momentos extraordinários, mas no dia a dia da nossa vida comum.
Na mensagem bíblica de hoje, vemos que a Deus nos fala, nos chama pelo nome, como ao Servo fiel apresentado pelo profeta Isaías na 1.a Leitura, para sermos sinal e instrumento de salvação para todos. Deus não chama “genericamente”; Ele nos chama pelo nosso nome, pelo nome que nos chama nossa mãe, nossos familiares. É um chamado pessoal, amoroso e intransferível. São Paulo, na 2.a Leitura, em sua saudação aos Coríntios, nos recorda que somos santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos junto com todos os que invocam o seu nome. E no Evangelho, João Batista nos ensina o que significa testemunhar: ele reconhece Jesus no meio da multidão, no fluxo ordinário do Jordão, e proclama a sua missão de precursor com simplicidade e humildade.
Essa unidade das leituras nos revela que o chamado de Deus não é algo distante ou reservado a poucos; é para cada um de nós, no nosso trabalho, na família, nas pequenas tarefas diárias. Como o Batista, que cumpria o seu ofício de batizar e, nisso, encontrou o Senhor, também nós somos convidados a santificar o nosso dia a dia, transformando o ordinário em caminho de encontro com Deus. Não se trata de grandes gestos heroicos, mas de fazer bem o que nos cabe, com amor, oferecendo tudo como sacrifício agradável ao Pai, imitando o Cordeiro que se entrega sem reservas.
Onde vamos encontrar o Senhor, em nossa vida? Só quando estivermos na Igreja? Não, ao contrário.
Irmãos, pensemos na nossa vida: no escritório, na cozinha, na rua, na escola, no trabalho realizado no computador, na presença nas redes sociais, etc. Aí encontramos a Deus. Ou o encontramos aí, ou nunca vamos encontrá-lo.
Este Deus que vem ao nosso encontro nas coisas simples do nosso dia, nos chama a ser luz, a testemunhar o seu amor. Responder "Aqui estou, Senhor", como no Salmo Responsorial, significa abraçar o nosso estado de vida com alegria, buscando a santidade nas coisas pequenas, unindo-nos a Cristo em cada momento. Assim, como o Servo que se torna luz das nações, a nossa existência cotidiana pode iluminar o mundo ao nosso redor, levando outros a conhecerem Jesus.
Que Maria, modelo de resposta generosa ao chamado de Deus, nos ajude a viver isso com fidelidade. Amém
