O “greenwashing”, ou maquiagem verde, tornou-se uma prática recorrente de empresas e governos que buscam aparentar responsabilidade ambiental sem mudar de fato seus processos. Recentemente, ganhou destaque o caso de uma organização internacional que certifica créditos de carbono, inclusive na Amazônia, acusada de validar projetos que não entregaram a redução real de emissões prometida, e inclusive em áreas que sofreram desmatamentos.
Fraudes como essa fragilizam a credibilidade dos mecanismos de compensação e mostram como relatórios de sustentabilidade e campanhas de ESG muitas vezes se apoiam em dados inflados ou ações pontuais, criadas apenas para agradar investidores e consumidores.
O problema vai além da propaganda enganosa: ao comprar créditos sem lastro, empresas continuam poluindo, enquanto projetos sérios de preservação perdem recursos e reconhecimento. Esse tipo de prática gera descrédito, mina a confiança pública e pode frear investimentos em iniciativas autênticas de conservação.
Para enfrentar o greenwashing é fundamental ampliar a transparência, exigir métricas verificáveis e regulamentar de forma mais rigorosa o mercado de carbono e as políticas ambientais.
Cabe também à sociedade cobrar coerência: compromissos ambientais não podem se resumir a slogans de marketing, mas sim refletir mudanças efetivas em cadeia produtiva, gestão e governança. Sem isso, perde-se tempo precioso no combate às mudanças climáticas e na busca por uma economia de baixo carbono.
