Festa da Exaltação da Santa Cruz
“Quando for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32)
Publicado em 12/09/2025 às 13:40h
Capa Festa da Exaltação da Santa Cruz

Hoje celebramos uma das festas mais importantes do ano litúrgico: a Exaltação da Santa Cruz. Esta Festa, instituída no século IV, recorda dois eventos históricos de grande importância: a dedicação da Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém, construída por ordem do imperador Constantino sobre os lugares da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, e a descoberta da verdadeira Cruz de Cristo por sua mãe, Santa Helena, por volta do ano 326. Desde então, a Igreja celebra não apenas a memória de um madeiro, mas a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. A Cruz, instrumento de suplício, tornou-se trono de glória, sinal de salvação e fonte de vida eterna.

Na primeira leitura (Números 21,4-9), o povo de Israel, cansado da peregrinação pelo deserto, murmura contra Deus e Moisés. Como castigo, Deus envia serpentes venenosas que causam a morte de muitos. Arrependido, o povo pede perdão. E Deus, em sua misericórdia, ordena que Moisés levante uma serpente de bronze sobre uma haste: quem olhasse para ela, viveria.

Este episódio é uma figura profética da Cruz de Cristo. Assim como a serpente de bronze era sinal de cura e vida, a Cruz de Jesus é remédio para o pecado e fonte de salvação. Jesus mesmo dirá: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele creem tenham a vida eterna” (João 3,14-15). A serpente representava o pecado, mas erguida, tornou-se instrumento de cura. Assim também Cristo, sem pecado, assumiu em seu corpo o pecado do mundo e, elevado na Cruz, nos redimiu.

São Paulo nos oferece, na segunda leitura (Filipenses 2,6-11) um dos textos mais belos e profundos do Novo Testamento: o hino cristológico. Nele, contemplamos o mistério da encarnação e da redenção. Jesus, sendo Deus, não se apegou à sua igualdade com Deus, mas esvaziou-se, assumiu a condição de servo, humilhou-se até a morte, e morte de Cruz. E por isso, Deus o exaltou e lhe deu o Nome que está acima de todo nome.

Este texto traz a mensagem principal desta nossa festa: a Cruz é o caminho da glória. A humilhação precede a exaltação. O abaixamento precede a elevação. Não há ressurreição sem cruz, não há coroa sem espinhos, não há glória sem entrega. Jesus nos ensina que o amor verdadeiro se mede pela entrega total, até o fim. E é justamente nesse “até o fim” que Ele é glorificado. A Cruz não é derrota — é o trono de onde reina o Amor.

O Evangelho de hoje (João 3,13-17) nos revela o coração do mistério da Cruz: o amor de Deus. “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”. A Cruz é o sinal visível desse amor incondicional. Não foi um acidente da história: foi o gesto supremo de um Pai que entrega o Filho por amor a nós.

Jesus, “levantado da terra”, atrai todos a si. A Cruz é o ímã de almas, centro da história, eixo da salvação. Ela não divide, mas atrai; não repele, mas convoca; não condena, mas salva. Quem olha para a Cruz com fé, encontra misericórdia. Quem abraça a Cruz com amor, encontra vida. A Cruz é escândalo para os que se perdem, mas para os que se salvam, é poder de Deus (cf. 1Coríntios 1,18).

Indicações práticas para viver a devoção à Santa Cruz

Diante deste mistério tão profundo, como podemos viver concretamente a devoção à Santa Cruz?

  1. Contemplar a Cruz diariamente — Não como um objeto decorativo, mas como sinal de salvação. Ao passar diante de um crucifixo, faça o sinal da cruz com devoção, rezando: “Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.” Deixe que a Cruz seja seu ponto de referência espiritual ao longo do dia.
  2. Unir suas cruzes às de Cristo — Todos carregamos cruzes: sofrimentos, doenças, incompreensões, perdas. Não as rejeite, nem as carregue sozinho. Ofereça-as a Cristo, unindo-as à sua Cruz redentora. Assim, elas se transformam em instrumentos de graça, de santificação e de salvação para você e para os outros.
  3. Ser cruz viva para o mundo — A devoção à Cruz não se limita a rezar diante dela, mas a ser cruz para os outros: presença de amor no sofrimento alheio, paciência nas provações, perdão nas ofensas, serviço aos pequenos. A Cruz é fecunda quando se torna dom. Seja você, em sua família, trabalho e comunidade, um sinal vivo do amor crucificado de Cristo.

Conclusão

Irmãos e irmãs, a Cruz não é um símbolo de morte, mas de vida; não é sinal de fraqueza, mas de poder; não é motivo de vergonha, mas de glória. Hoje, exaltamos a Cruz porque nela brilha o amor de Deus que vence o mal, que transforma a dor em redenção, que faz da morte o portal da vida eterna.

Que a Santa Cruz seja para nós refúgio na tribulação, luz na escuridão, esperança na desolação e força na fraqueza. E que, ao contemplá-la, possamos dizer com São Paulo: “Longe de mim me gloriar, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo” (Gálatas 6,14).

Viva Cristo, viva a sua Cruz, hoje e sempre! Amém.