A santidade cristã é a perfeição dos pensamentos, das intenções e da ação, tendo como parâmetros de medição a santidade de Deus. Infelizmente, nosso campo de visão em relação a esta questão é sempre muito limitado. Tantas vezes, imaginamos que nós somos perfeitos e que os demais devem ser à nossa própria imagem e semelhança para serem perfeitos. Portanto, é somente com a ajuda de Deus e com muito esforço de nossa parte que poderemos entender o que é a verdadeira santidade.
Jesus no Evangelho deste Domingo (Mateus 5,38-48) nos diz: "sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito". Por que nos parece estranho este convite à santificação? Porque uma certa mentalidade contemporânea leva-nos a ver os santos como seres estranhos, que pairam sobre as nuvens e não se misturam com os seus outros irmãos e irmãs, desprezando a alegria de viver e ocupando-se com os golpes da renúncia, do sacrifício e do longo e sofrido ascetismo.
No entanto, a santidade não é uma anomalia, uma questão de gente estranha e fora do mundo real, mas um requisito para a autêntica vida de comunhão com Deus e de amor ao nosso próximo. Este deve ser o "estado normal" de quem se identifica com Cristo, reconhece a sua pertença divina e pretende caminhar para uma vida plena, como um homem novo. Jesus Cristo é o nosso modelo de santidade. A santidade cristã verdadeira não depende, por exemplo, da idade. Nos altares vemos pessoas de todas as idades, desde crianças até idosos. A santidade não é limitada por cor ou raça. Não é reservada a um determinado grupo cultural, a uma determinada profissão, ocupação, condição social. Há santos entre os fiéis leigos cristãos, assim como entre os religiosos, os sacerdotes, diáconos, bispos e papas.
E para que não nos percamos em nosso caminho para o céu inventando um modelo de santidade falsificada, o próprio Deus, em seu Filho Jesus Cristo, se propõe a ser nosso único modelo. O santo cristão é antes de tudo alguém que buscou, durante sua vida nesta terra, uma autêntica e sincera identificação com Cristo. Os nossos santos são homens e mulheres que se apaixonaram por Jesus e como apaixonados esforçaram-se em viver identificados com Cristo, por uma criatividade pessoal que fez de cada um, uma presença viva, uma extensão de Cristo, cada um em seu tempo, cada um na especificidade da vocação para a qual foram chamados. Há santos crianças, jovens, adultos, anciãos, casados e solteiros, religiosos e consagrados a Deus, ministros ordenados, pobres e ricos. Enfim, em cada possível situação na qual a vida humana pode crescer e se desenvolver, Deus fez aparecer homens e mulheres que buscaram a perfeição no amor, e por isso, são hoje chamados de santos.
Para nós, cristãos de hoje, está lançado o desafio: sermos santos, onde Deus nos colocou e onde Ele nos chama a servi-lo. Ele nunca deixará faltar sua Graça neste caminho de perfeição. Pede-nos, fundamentalmente, algumas coisas, que inclui a nossa docilidade à sua Graça, que será sempre a razão maior da santidade cristã. Além disso, pede-nos o ódio ao pecado que separa de Deus e dos irmãos e que nos coloca sempre em uma condição sub-humana. E para nos fortalecer nos caminhos dessa vida, que adquire uma importância fundamental na busca da santidade, já que não haverá outra vida para nós nesse mundo, o Senhor nos deixou a Igreja, que nos oferece a oração comum, os Sacramentos da Fé e a atenção pastoral. Temos os meios necessários para vivermos como verdadeiros filhos de Deus em um mundo tão conturbado e tão cheio de contradições, não faltando atualmente nem mesmo as mais terríveis perseguições contra aqueles que humildemente só tem um desejo: o de servir a Deus assim como Deus deseja ser servido. Que Nossa Senhora, Rainha de todos os santos interceda por nós.
