Uma vida convertida e obediente a Deus
Coluna de Dom Antonio Carlos Rossi Keller
Publicado em 10/02/2023 às 15:05h
Capa Uma vida convertida e obediente a Deus

Os caminhos da nossa vida são sempre guiados por sinais: sinais de trânsito avisando que o caminho é difícil, sinais de limites de velocidade, sinais em estradas sem saída. Quando não obedecemos a estes sinais, temos a possibilidade de estar em apuros, arriscar nossas vidas e pagar um preço muito caro por nossa imprudência. Se prestarmos atenção a esses sinais, estaremos certamente mais protegidos.  Existem também muitos paralelos entre esses sinais humanos e os sinais de Deus em nossas vidas, como sinais seguros para a salvação de nossa existência. Deus nos criou para sermos livres e responsáveis por nossas ações para podermos, com a ajuda de sua Graça, construir nossa própria felicidade. 

Segundo a 1a Leitura de hoje (Eclesiástico 15,16-21), somos colocados diante do fogo e da água, da vida e da morte, para escolher que caminho pretendemos seguir em nossas vidas. A vida e a morte estão diante de todos, e cada um receberá o resultado do que tiver escolhido. O caminho da vida é marcado pelos mandamentos, o caminho da morte é marcado pelo pecado, paixões, desrespeito aos sinais de Deus, nosso Pai, enfim, nossa própria inconsciência desalinhada com a sabedoria do amor divino. 
A sabedoria inspirada pelo Espírito Santo é a que devemos nos esforçar por conseguir. Esta «sabedoria de Deus», de que fala a 2a Leitura (1 Coríntios 2,6-10), não provém do conhecimento dado pelo mundo, mas do próprio Espírito Santo, que a ensina a quem se deixa guiar por Ele. O intelecto humano não pode responder a perguntas sobre o significado de nossa existência: a razão da vida e a razão da morte. O Espírito Santo dá-nos a conhecer o desígnio de amor de Deus, concebido desde o início da criação para nos conduzir à sua glória. Tendo esta verdadeira “sabedoria”, conhecendo este “mistério”, sabemos que Deus está fazendo tudo por nós e para nós, muito além do que possamos imaginar. Deus nos inspira e nos fortalece para seguirmos todos os nossos bons desejos e esperanças, e nos ajuda a enfrentarmos todos os nossos problemas e expectativas. 

Essa "sabedoria divina" também nos aconselha a abrir nossos corações e mentes para as ações de nosso Pai Celestial, que nos revelou esses planos "de muitas maneiras" para serem plenamente manifestos em Jesus e em sua mensagem como indicadores do caminho certo. 

O caminho certo para a salvação, Jesus nos revelou no Evangelho. Ele veio para aperfeiçoar a lei, libertá-la do abuso, da má interpretação e da conformidade com o mal, e transformá-los em relacionamentos de amor. No Evangelho deste domingo (Mateus 5,17-37) Jesus nos dá exemplos práticos de como a Lei de Deus deve ser vivida por nós em profundidade. 

Jesus ensina com sua própria autoridade divina: “Os antigos diziam...”, “Eu porém vos digo...”. Assim, abre novos caminhos para a perfeição e para a plenitude da vida com Deus. "Não matar" não se refere apenas sobre tirar a vida física humana, é muito mais do que isso. Ele nos ensina sobre como é possível matar por dentro: aqueles dos quais falamos mal, aqueles que caluniamos ou desacreditamos, quando dizemos algo ofensivo, quando nos deixamos dominar pela ira ou pelo ódio. 
Ele sugere que não é só o corpo que precisa ser limpo e estar limpo, mas até o próprio pensamento, que deve buscar amar.

Quanto ao adultério, Jesus insistiu na fidelidade interior e conjugal, apelando ao amor verdadeiro e fiel. As pessoas que deixam seus instintos subirem à cabeça podem causar sérios problemas para si mesmas, suas famílias e outras pessoas; por isso, é preciso coragem para saber cortar pela raiz certas situações que podem levar a mais frustrações. 

Jesus afirmou que o casamento é indissolúvel. No entanto, Ele não nos dá o direito de condenar, envergonhar ou isolar aqueles que, por qualquer motivo, falham na vida conjugal. Somos chamados a mostrar a ternura, o acolhimento e a compreensão que o próprio Jesus expressou nesta situação. Uma coisa é o erro e o pecado, outra coisa é aquele que erra e aquele que peca. Saibamos nós também ter a justa medida das coisas.