A Contribuição dos Lanceiros Negros na Revolução Farroupilha - 21 
Coluna de Samba Sané
Publicado em 02/02/2023 às 13:55h
Capa A Contribuição dos Lanceiros Negros na Revolução Farroupilha - 21 

Prezados leitores deste nosso prestigiado jornal, como é de conhecimento de todos, no mês de setembro de cada ano os Gaúchos comemoram a revolução Farroupilha, considerado o maior conflito armado ocorrido em território brasileiro entre os anos de 1835 a 1845.

Esta revolução teve uma participação fundamental de um grupo de pessoas que, na época, jamais imaginariam que seriam tão importantes no conflito, tanto no desenrolar quanto na conclusão. São os lanceiros negros, agrupamento do exército farroupilha formado por escravos convocados para lutar ao lado dos revoltosos, tendo desempenhado um importante papel durante os 10 anos da Revolução Farroupilha. Dada a essa contribuição tão marcante, trouxemos aqui e nas próximas colunas alguns destaques dessa contribuição.
(...), Cláudio Moreira Bento também confirma o assassinato de Teixeira Nunes, já ferido: 
O final do maior lanceiro farrapo foi assim descrito por [...] Manoel Alves Caldeira [...] Por ordem de Canabarro, após Porongos, Teixeira Nunes foi acampar no arroio Chasqueiro. Aí foi a procura-lo Chico Pedro, em 26 de novembro de 1844. Chico Pedro marchava pela estrada real em direção do passo onde se achava Teixeira Nunes – o seu inimigo dos mais temíveis e respeitados [...] O inimigo carregou sobre a força de Teixeira Nunes que não podendo sofrer as cargas foi derrotada e perseguida de morte em morte. 

O cavalo de Teixeira Nunes foi baleado e assim mesmo ele seguiu defendendo-se com sua lança. Mas foi também baleado com a dita lança e não podendo mais manejá-la, foi rodeado pelos que de mais perto o seguiam e deram-lhe um tiro em uma coxa. 
A seguir caiu do seu cavalo, ocasião em que chegava Chico Pedro ao qual disse – Coronel não me deixa matar. Chico Pedro seguiu e virando a cara para o lado disse: – Não matem o homem. Teixeira tinha feito um sinal de socorro e morreu. (BENTO, 1992, pp. 176- 177).


Após a “Surpresa dos Porongos”, aceleraram-se as tratativas de Paz. A questão do destino a ser dado aos negros farrapos era uma das questões mais intrincadas a equacionar. David Canabarro e Vicente da Fontoura, da mesma forma que os imperiais, trabalharam para que o problema fosse resolvido através do desarme dos negros farrapos e do seu afastamento da província. 
O artigo 5º das Instruções Reservadas (datadas de 18 de dezembro 1844), enviadas a Caxias, estipulava: “os escravos que fizeram parte das forças rebeldes apresentados serão remetidos para esta Corte à disposição do Governo Imperial que lhes dará o conveniente destino”. (WIEDERSPAHN, 1980, p. 13). (...).