Carga de jogo, como mensurar?
Coluna de Pedro Francke
Publicado em 15/04/2024 às 15:13h
Capa Carga de jogo, como mensurar?

Primeiramente e de uma forma simples definirei a carga de jogo como a demanda ou esforço do jogador durante a partida. Sabemos que esse esforço gera um grande desgaste no organismo do atleta. Atualmente existem vários aplicativos que auxiliam na visualização desta carga em cada jogador, controles por GPS (monitora a distância e intensidade dos deslocamentos na quadra) e frequencímetros (monitoram a frequência cardíaca durante toda a partida), entre outros. Estes controles diferenciam as ações e desgastes individualmente e isso é fundamental, pois num mesmo período de tempo do jogo dois indivíduos terão ações diferentes e por isso não podemos concluir que mesmo um jogo intenso será desgastante para todos os jogadores da mesma forma.

Todo o treinamento gera uma carga externa (que é realmente o jogo ou o treino) e uma carga interna (como o jogo interferiu no organismo de jogador, frequência cardíaca, liberação de substâncias e hormônios,...). Então é muito superficial pensar que o desgaste de uma partida resultará na mesma fadiga em todos os jogadores. Até porque, no futsal, as trocas são ilimitadas e ocorrem em todo o momento, assim no mesmo período de jogo teremos jogadores que participaram mais tempo e outros bem menos. Diferente do futebol, onde é mais fácil mensurar até o volume de jogo de cada indivíduo por termos trocas limitadas.

Como eu analiso a carga de jogo numa realidade em que não contamos com recursos científicos para essas informações, mas que é foco do preparador físico identificar as diferenças individuais dentro de um contexto maior que é o jogo. Existem alguns controles simples, que demandam algum trabalho, mas que trazem informações pertinentes ao desgaste do jogo, ainda mais quando relacionados entre eles. Utilizo três estratégias buscando alguns parâmetros importantes e que irão auxiliar nas tomadas de decisões para o trabalho com cada jogador.

Primeiramente se realiza um controle de peso antes e após a partida, não se emagrece consideravelmente em apenas uma partida, mas muitos jogadores chegam a perder até 3kg no jogo.  Essa diferença se dá em função da perda hídrica do corpo, desidratando o indivíduo. Sabemos que a desidratação é algo muito prejudicial para o organismo e atrapalha a recuperação deste. Então, sabendo-se o que se perde, podemos agir na solução deste problema gerado, exigindo uma maior hidratação e aplicando alguns suplementos que vão auxiliar neste processo hídrico e também energético.

O Segundo passo é controlar o volume de jogo de cada jogador, registrar as trocas e quanto cada um jogou, pois, mais tempo de jogo geralmente resulta numa carga maior. Mas isso também é muito relativo, às vezes se coloca um jogador numa situação mais exigente na partida, gerando um maior desgaste do que em quem jogou um pouco mais numa situação menos intensa (isso é apenas para ilustrar que existem muitas variáveis importantes e que interferem num todo).

O terceiro passo, também é uma análise bem individual, utilizando uma Escala Perceptiva de Esforço (PSE), onde o atleta mensura o seu cansaço no treino/jogo numa escala de 0-10 onde, quanto maior, mais desgaste terá. É um protocolo confiável e validado e por isso é uma boa referência para definir a fadiga. Com este valor relacionamos com o tempo de jogo (PSE x Tempo) que resultará num valor de referência importante e diferenciando jogadores entre si. Vamos pensar que no jogo um atleta jogou 15 minutos e no PSE relatou 10 e outro jogou 25 e também relatou 10. Ambos referindo-se a mesma fadiga (que é uma análise individual), porém, o jogador que atuou mais terá um desgaste muito maior para referência de trabalho relacionando fadiga e tempo jogado.

Assim, confrontando estes três aspectos é possível individualizar as cargas e fadigas do jogo, tendo referências para utilizar estratégias diferentes para cada caso. São informações que facilitarão tomadas de decisões e estratégias para homogeneizar o grupo de jogadores, dando uma recuperação maior para os mais desgastados e um trabalho específico para os menos fadigados. É um processo que exige dedicação e conhecimento, mas é algo muito importante para definir estratégias buscando um trabalho qualificado e planejado.

A falta de uma melhor estrutura não pode ser razão para não fazermos o melhor nas condições disponíveis buscando conhecimento e dedicação.

Abraço !!!!