O que é preciso para ser feliz?
Coluna de Dom Antonio Carlos Rossi Keller
Publicado em 17/11/2023 às 15:40h
Capa O que é preciso para ser feliz?

O desejo universal pela felicidade é inegável. Quem pode contestar isso? No entanto, devemos ser realistas. A felicidade não é um presente pronto, para ser entregue. É sempre conquistada com esforço, dedicação e sacrifício. O segredo da autentica felicidade reside na fidelidade aos nossos deveres para com Deus e os outros. Ser fiel no cumprimento diário das responsabilidades; praticar pequenos gestos de bondade para com o próximo; manter-se comprometido, por exemplo, com a devoção e o amor por Jesus na Eucaristia; esforçar-se para tornar a vida mais agradável para os demais; sorrir, servir e ensinar.

Para ser feliz é necessário ser fiel. Isto é crucial: “Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos”, como diz o Salmo Responsorial de hoje (Salmo 127). Não há felicidade sem fidelidade. 

A 1a Leitura da Missa de hoje (Provérbios 31,10-13.19-20.30-31) apresenta o exemplo da mulher virtuosa, que se dedica ao bem-estar da família e ao conforto do lar. Nos mostra a importância da dedicação às coisas pequenas do dia a dia.

São Paulo, na 2a Leitura (1a Tessalonicenses 5,1-6) nos convida a ser vigilantes e sóbrios em tudo: na fala, na alimentação, no vestuário, no comportamento diante dos acontecimentos. O Apóstolo nos convida a optar pelo otimismo em vez do pessimismo e do desespero.

No Evangelho (Mateus 25,14-30), vemos o exemplo dos servos que fizeram render os talentos confiados pelo patrão. É a história do patrão que, após um longo tempo, foi acertar contas com seus servos. Enquanto os dois primeiros fizeram os talentos renderem, o terceiro, movido pela preguiça, nada fez. Ele recebeu a repreensão condenatória do patrão: “Servo mau e preguiçoso”. Isso ilustra o pecado da omissão. O servo preguiçoso não perdeu o talento, mas o deixou inativo ao escondê-lo.

Esse servo preguiçoso representa o cristão que foge de uma vida mais intensa de piedade, do compromisso apostólico, de aliviar o sofrimento alheio. Ele tranquiliza sua consciência dizendo: “Não sou mau, não prejudico ninguém”. Mas não percebe suas omissões graves, coisas que deveriam ter sido feitas ou ditas e não foram. Hoje, nas relações humanas, na mídia, quantas omissões graves são observadas, quantas irresponsabilidades são cometidas publicamente: momentos para elogiar e oportunidades para expressar discordância sem condenar ninguém, por exemplo. Podemos pensar naqueles, que se apresentam como cristãos, mas apoiam publicamente o aborto, envolvem-se em realidades que destroem a família assim como foi pensada por Deus e outras ações graves contra a vida, a justiça e a paz.

Os comportamentos dos servos foram diferentes. Para os primeiros dois, o resultado foi 100% positivo; para o terceiro, 100% negativo. Cada um recebeu talentos para fazê-los frutificar sempre que possível. Não podemos simplesmente nos omitir frente às exigências que um cristão deve assumir na sociedade. Certamente, não resolveremos tudo, mas devemos fazer o que podemos.

Curiosamente, o Evangelho associa os pecados de omissão ao inferno. Três textos o mencionam: a parábola dos talentos - “lançai-os às trevas”; a parábola do rico avarento - “foi sepultado no abismo”; e um trecho que antecede o Evangelho de hoje, Mateus 25, 11 - “afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno”.

Em casa, no trabalho, nas relações sociais, na Paróquia, faço meus talentos de inteligência, saúde, simpatia, possibilidades econômicas frutificarem ou os enterro na preguiça? Estou comprometido em defender valores como a vida, a família, a verdade, a honra, o pudor e ajudar aqueles que, de alguma forma, precisam de mim?