Prezados leitores deste nosso prestigiado jornal, como é de conhecimento de todos, no mês de setembro de cada ano os Gaúchos comemoram a revolução Farroupilha, considerado o maior conflito armado ocorrido em território brasileiro entre os anos de 1835 a 1845.
Esta revolução teve uma participação fundamental de um grupo de pessoas que, na época, jamais imaginariam que seriam tão importantes no conflito, tanto no desenrolar quanto na conclusão. São os lanceiros negros, agrupamento do exército farroupilha formado por escravos convocados para lutar ao lado dos revoltosos, tendo desempenhado um importante papel durante os 10 anos da Revolução Farroupilha. Dada a essa contribuição tão marcante, trouxemos aqui e nas próximas colunas alguns destaques dessa contribuição.
Também é muito suspeito o comportamento de Antônio Vicente da Fontoura – indicado por Canabarro para as conversações de paz. Na noite de 13 de novembro, que antecedeu o massacre de Porongos, ele anotou no seu diário: “Amanhã é a minha marcha para o Rio de Janeiro. Devo primeiro ir ao campo do Barão de Caxias para reunir-me com o outro que ele manda de sua parte”. Em 18 de novembro, ele volta a escrever, como se nada houvesse acontecido:
Não quero (...) fazer a descrição do revés que tivemos a 14 porque o Gabriel vai e ele que o conte. (...) A 16 saí do nosso acampamento, para prosseguir nas negociações da paz e chegando a este ponto, encontrei o Barão nos mesmos princípios, e por isso amanhã devo seguir para a Corte (FONTOURA, 1985, pp. 143-145).
Informação que desmente, inclusive, a “lenda” de que, após o revés de Porongos, em represália, Canabarro e seus seguidores teriam suspendido as negociações de paz com Caxias, “num gesto de desassombro e altivez”. A indignação de Bento Gonçalves com Canabarro, após o combate de Porongos, pode ser medida pela carta que envia ao amigo Silvano, datada em 27 de novembro de 1844, onde afirma que os:
[...] caminhos indispensáveis por onde tinha de avançar eram tão visíveis que só poderiam ser ignorados por quem não quisesse ver nem ouvir, ou por quem só quisesse ouvir a traidores, talvez comprados pelo inimigo!!! [...] Perder batalhas é dos capitães e ninguém pode estar livre disto; mas dirigir uma massa e prepará-la para sofrer uma surpresa semelhante (...) é (...) covardia do homem que assim se conduz (SILVA,1985, p. 256). (...).
