O TREINO É ONDE SE CONSTROI O JOGO
Artigo de Pedro Francke
Publicado em 11/05/2026 às 14:28h
Capa O TREINO É ONDE SE CONSTROI O JOGO

A frase "treino é treino, jogo é jogo" muitas vezes é usada de forma equivocada no meio esportivo. Para a ciência do esporte, o treino é, na verdade, o ambiente de alta performance onde construímos a nossa capacidade competitiva. É o momento de sobrecarregar o sistema de forma controlada para que, sob a pressão do apito inicial, a resposta do atleta seja automática e eficiente.

Antigamente, era comum ouvirmos falar dos "leões de jogo" — aqueles atletas que treinavam em marcha lenta durante a semana, mas que supostamente decidiam as partidas no domingo. No entanto, na realidade do esporte moderno, essas figuras perderam espaço. A intensidade exigida pelas partidas atuais é tão alta que quem não sustenta a carga na terça-feira simplesmente não possui as ferramentas físicas e mentais para decidir no sábado.

O treino funciona como um laboratório onde cinco capacidades fundamentais precisam se fundir para que o desempenho apareça. Tudo começa pela capacidade física, que é o nosso tanque de combustível; é no treino que se constrói o lastro fisiológico para que o atleta não "quebre" nos minutos finais e mantenha a lucidez mesmo sob cansaço extremo.

Junto a isso, refinamos a capacidade técnica, é preciso destacar, porém, que ela deve ser o diferencial, mas apenas ela não transforma ninguém em um profissional de alto nível. Hoje, a intensidade das partidas acaba apagando jogadores de muita técnica, mas pouca entrega física. O talento só brilha se o atleta tiver intensidade para ganhar o espaço e o tempo necessários para executar a jogada.

Além do vigor e do gesto técnico, o treino é onde se constrói a inteligência coletiva e a capacidade tática, garantindo que o time reaja como um organismo único aos estímulos do adversário. Isso exige uma capacidade cognitiva apurada, ou seja, uma velocidade de decisão treinada para resolver problemas complexos em milissegundos.

Quem treina lento, acaba pensando lento, e o jogo moderno não perdoa o atraso mental. Por fim, a própria competitividade deve ser encarada como um hábito que se cultiva na semana. Treinar com oposição real e metas claras forja o caráter e prepara o psicológico para o ambiente hostil da competição oficial.

Em suma, o treino é o jogo invisível. É nele que se ganha o direito de competir em alto nível. A intensidade exigida hoje não aceita mais quem "escolhe" quando correr ou quando se dedicar. O atleta precisa entender que a técnica é a sua arma, mas a intensidade do treino é o que permite que essa arma seja disparada no momento certo.

Sem o equilíbrio entre o físico, o técnico, o tático, o cognitivo e o competitivo, o talento individual acaba sendo engolido pela organização e pelo vigor do adversário. A intensidade e a entrega nos treinos pode não ser algo fácil, mas é treinável e nisso que muitos potenciais se perdem no caminho. Pois, a profissão de jogador de futebol é muito exigente e cobra um preço alto, mas só para aqueles que estão dispostos a pagar,

Abraço!!!!!!