O Brasil despediu-se esta semana de um dos seus maiores heróis. Oscar Schmidt, o nosso "Mão Santa", nos deixou aos 68 anos, mas sua história fica gravada na memória de cada brasileiro. Ele foi um grande exemplo e ídolo para mim. Apesar de trabalharmos esportes diferentes, sempre me inspirei em pessoas extraordinárias, com determinação, busca pela excelência e que servem de exemplo tanto como atletas quanto como cidadãos.
Para o público, o apelido sugeria algo divino, mas quem acompanhou sua trajetória sabe que aquela mão não era santa por acaso; ela era fruto de um amor e de uma entrega que raramente vemos hoje em dia.
Os números que ele deixa são colossais, figurando como uma das maiores marcas da história do esporte. Oscar é o segundo maior pontuador do basquete mundial em todos os tempos, com a incrível marca de 49.737 pontos, tendo sido superado por LeBron James apenas em 2024.
Além deste número expressivo de pontos, podemos aprofundar seus feitos como: maior pontuador dos jogos olímpicos (1093 pontos em 5 participações), maior pontuador num jogo olímpico ( 55 pontos contra a Espanha em 1988), maior cestinha da Copa do Mundo FIBA (893 pontos em mundiais), maior cestinha da Liga Italiana ( com média de 34,6 pontos por partida em 11 anos de atuação) e maior pontuação num jogo de Pan-Americano (53 pontos contra o México em 1987).
Mas a sua grandeza vinha do que ele fazia quando as luzes do ginásio se apagavam para os outros. Além dos mil arremessos diários que fazia após terminar todo o treinamento, ele se impunha um outro desafio final exaustivo: converter vinte cestas de três pontos seguidas. Se errasse uma, a contagem voltava ao zero. Não importava o cansaço; ele só saía de quadra quando vencia a si mesmo.
Foi com essa determinação que ele conquistou o mundo em 1987, em Indianápolis. O Brasil perdia para os poderosos Estados Unidos dentro da casa deles, mas Oscar liderou uma virada histórica que parecia impossível. Aquela medalha de ouro no Pan-Americano foi o grito de um homem que provou que o trabalho supera qualquer favoritismo, a organização nem tinha o hino brasileiro para o pódio, pois era impensável uma derrota para nós. Por feitos como esse, ele hoje ocupa o lugar de honra no Hall da Fama mundial, respeitado em todos os cantos do planeta e admiração dos maiores jogadores de basquete da história.
Mas o seu maior troféu foi a integridade. Em uma época em que as regras o impediriam de defender o Brasil se fosse para a NBA, o "Mão Santa" disse não aos milhões de dólares e ao glamour da maior liga do mundo para nunca deixar de vestir a camisa da nossa Seleção. Esse patriotismo e a postura ética de colocar o país acima do lucro pessoal revelam o homem gigante por trás do atleta.
Oscar enfrentou seus últimos desafios de saúde com a mesma garra e dignidade. Ele se foi, mas o seu legado permanece vivo: a excelência exige tempo, a glória exige princípios e o sucesso só pertence àqueles que, como ele, nunca abandonaram o campo antes de cumprir sua missão com perfeição.
Abraço!!!!!
