Não há que falar em preparar-se às catástrofes ambientais, e sim em tempo de resposta às emergências. Entende-se adequado políticas públicas de ações preventivas que venham a mitigar os efeitos que impactam a vida da população. Porém o que aconteceu no estado do Rio Grande do Sul ao final dos meses de abril e início de maio de 2024 saíram do controle em virtude da devastação causada pelos eventos climáticos severos, impactando a economia como um todo.
A economia define-se um sistema, equipara-se a um conjunto de engrenagens de uma máquina, por exemplo, a produção de um determinado bem de um determinado segmento econômico é o insumo de outro. Não há que falar em moradia, sem falar em habitação e tudo que envolve as condições de uso, tais como o sistema hidráulico, o sistema elétrico, etc. Quando uma dessas peças da engrenagem são interrompidas, as demais são afetadas. Imaginem o corpo humano, caso tenha uma interrupção, mesmo que momentâneo, de um membro, braço, perna, mãos, ou até o “minguinho”, os demais necessitam desempenhar um esforço a mais para compensar aquela restrição aos movimentos, correto? É nesse sentido que o sistema econômico se enquadra. Cerca de 90% das atividades econômicas das regiões afetadas pelos eventos climáticos impactaram grande parte da cadeia produtiva, principalmente logística de transporte, desde rodovias, o transporte urbano, marítimo e também aéreo, impondo restrições a movimentação de pessoas e insumos à produção de manufaturas.
Também foram impactadas as políticas públicas que envolvem a arrecadação de tributos comprometendo as finanças públicas, especialmente dos Municípios e do Estado. Somente no ICMS, entre maio e junho, a queda na arrecadação atingiu 25%, e, consequentemente, há impacto nas transferências dos recursos a que todos os municípios têm direito, merecendo, portanto, especial atenção as respectivas contas públicas.
Por outro lado, novas políticas públicas emergem, desde os abrigos de acolhimento aos atingidos que perderam todos os seus bens, passando pela reconstrução das condições mínimas de convivência, especialmente as sanitárias, nas respectivas localidades, e também alavancar a economia onde os efeitos climáticos foram não foram destrutivas. São esses onde há potencial da atividade econômica para compensar a estagnação das áreas atingidas. Transformar o potencial à realidade consiste em transformar as oportunidades em negócios, talvez impactando novos paradigmas de produção, mas certamente em desenvolvimento econômico. Potencial para crescer existe, basta apenas políticas públicas assertivas e celeridade à tomada de decisão.
Em outro momento abordarei as demandas que o RS necessita quanto as questões estruturais de seu financiamento, em especial da dívida pública. No momento há que evidenciar alguns acertos do governo estadual que permitiram a manutenção do pagamento em dia da folha de pagamentos aos servidores.
O tempo de resposta à recuperação econômica deve estar acompanhado de novos modelos de desenvolvimento sustentável, especialmente com olhar para o meio ambiente. Para isso é fundamental o fortalecimento dos atores envolvidos, desde a imprensa e seu poder de comunicação imediata, até os planos estratégicos promovidos pelas associações de municípios e conselhos de desenvolvimento, resultando em articulações ao diálogo e a implementação das ações que fomentam o sistema econômico.
**Os comentários são de minha inteira responsabilidade Adriano Kozoroski Reis
Economista
