Recentemente ouvimos que a Neuralink, empresa fundada por Elon Musk e que trabalha para desenvolver interfaces de computador que possam ser implantadas em cérebros humanos, inseriu seu primeiro dispositivo em um paciente. Trata-se de um eletrodo fino, compacto e anatômico, inserido no córtex cerebral através de um robô cirúrgico, desenvolvido especialmente para este fim. Musk, o bilionário CEO da Tesla e da SpaceX, declarou que este primeiro produto da empresa se chama Telepathy e promete que um ser humano controle um telefone ou computador “apenas pensando”.
Pode-se pensar que esta tecnologia soma esforços às neurociências para o desenvolvimento de outras tantas que permitam a reabilitação de comportamentos complexos, o que em si seria revolucionário. O objetivo é ambicioso e a promessa é vasta: desde a superação de limitações físicas até a revolução no tratamento de distúrbios neurológicos.
A visão de conectar nossos cérebros a computadores não é mais ficção científica. É, segundo a Neuralink “uma simbiose entre humanos e a Inteligência Artificial cada vez mais tangível”. Para onde caminhamos? Verdadeiramente, eu não sei. Mas enquanto este novo território é explorado, somos guiados pela esperança de um futuro onde as incapacidades serão minimizadas, quiçá eliminadas.
E enquanto o chip Telephaty está em fase de testes clínicos, por aqui seguimos com uma moderna e talvez não tão recente tecnologia que auxilia na recuperação das mais diversas funções corporais: a Neuromodulação. Trata-se de uma técnica não invasiva, revolucionária e recentemente implantada no Brasil, disponível agora também para Frederico Westphalen e região. Ela atua no sistema nervoso e pode eliminar os sintomas incapacitantes de muitas doenças, trazendo uma melhor qualidade de vida ao paciente e seus familiares, devolvendo sua autonomia por tornar as atividades de vida diárias mais fáceis de serem realizadas. A depender da clínica do paciente, podemos estimular (por exemplo, uma área relacionada ao movimento) ou inibir (por exemplo, uma região cerebral envolvida no processamento da dor crônica) regiões cerebrais de acordo com os objetivos terapêuticos traçados.
Seus promissores resultados na reabilitação têm sido demonstrados através de evidências científicas robustas que reforçam a aplicabilidade destas técnicas em diversas condições clínicas como uma ferramenta potencial para auxiliar na neuroplasticidade e na recuperação funcional, dentre elas: Sequelas de Acidente Vascular Cerebral – AVC, e Traumatismo Craniano - TCE; Doenças Neurodegenerativas, como as Doenças de Parkinson e Alzheimer; Distúrbios de linguagem e comunicação (afasia); Distúrbios do movimento; Distúrbios de equilíbrio e coordenação (ataxia); Distúrbios da fala e da deglutição; Fraqueza (hemiparesia), cognição prejudicada, dor crônica e sintomas semelhantes; Condições psiquiátricas, incluindo depressão resistente a medicamentos.
Não é demais reforçar que os protocolos são individualizados e, portanto, em todas essas condições é preciso uma avaliação minuciosa e uma prescrição por profissionais capacitados. Apesar de um chip estar bastante distante ainda, a Neuromodulação vale-se de estudos considerando áreas alvo específicas para estabelecer relação entre o cérebro e uma variedade de domínios motores, cognitivos, sociais e afetivos. É tecnologia, respaldada pela ciência, revelando melhorias notáveis nas funções.
