Arquitetura da Felicidade
Coluna de Zamara Ritter Balestrin
Publicado em 19/10/2023 às 15:21h
Capa Arquitetura da Felicidade

Assim como você (muito provavelmente) foi atraído pra esse texto pelo título, eu também comprei esse livro pela capa! Mas atire a primeira pedra quem nunca teve um impulso, ou julgou algo pela primeira impressão.
Deixa-me explicar melhor... Era 2012 eu estava no segundo semestre do curso de arquitetura na URI, quando passeava pela livraria durante o intervalo e vi esse livro: "Arquitetura da Felicidade". Pensei na hora: "aqui está a receita para o sucesso de todos os meus futuros projetos! Afinal quem não quer ser feliz!?" Então juntei minhas economias e comprei o livro que revelaria todos os segredos que eu precisava saber (mas na verdade o que ele me trouxe foi um bocado de perguntas).
Confesso que demorei muito para finalizar a leitura, pois o livro trazia uma perspectiva filosófica, sobre senso de beleza e comportamento humano que, naquele período da faculdade eu não conseguia compreender muito bem. 
Mas preciso admitir também que esse livro provavelmente foi a origem que despertou em mim um olhar para arquitetura com mais sensibilidade.
Para que você não fique tão perdido como eu fiquei quando comecei a estudar sobre o tema, em resumo, a Arquitetura da Felicidade nada mais é do que criar locais onde as pessoas sintam prazer de estar. 
Mas não se engane! Não existem regras para desenvolver um ambiente feliz. 
Contudo, certos aspectos podem sim ajudar a despertar sensações e sentimentos positivos e consequentemente melhorar a qualidade de vida de quem habita determinado espaço.
E antes que você possa pensar: nossa mais um papo de “vendedor de sonhos”, preciso dizer que é comprovadamente possível materializar locais que evoquem o sentimento de bem estar. 
Só que para que isso de fato aconteça, depende em parte do arquiteto responsável por criar o espaço e em parte da capacidade de percepção de quem vive, trabalha ou passa por esse local. Afinal felicidade nada mais é do que um estado de espirito.
Sendo assim, falando da metade que cabe ao arquiteto:
A arquitetura da felicidade está ligada à essência do ser. E tem o poder de influenciar ou moldar nosso modo de vida e nosso estado de espirito, pois provoca sensações, sentimentos e induz comportamentos.
Como citado pelo autor do livro: “Para que possamos nos aproximar da nossa verdadeira essência que reconhecemos como nosso “eu verdadeiro”, precisamos que certas circunstâncias estejam favoráveis. Mais precisamente, precisamos que os lugares onde estejamos, nos ajudem.”
De forma geral, o equilíbrio sábio entre esses dois pontos principais de concepção, tendem a elaborar uma arquitetura apta a proporcionar felicidade:
1° Aplicação dos princípios de ordem, simetria, proporção, e funcionalidade, que são intrínsecos à percepção universal de harmonia.
2° Aplicar a personalização, identificação, significado e personalidade relacionada às pessoas, ao lugar, ao tempo e ao uso.
E isso vale pra tudo! Seja a decoração da sua sala de tv ou escolher a tinta da parede, até construir um prédio inteiro do zero. 
Mais uma vez isso exemplifica por que não existem receitas prontas quando se trata de arquitetura, por que o objetivo é pensar em você, em criar algo que venha para completar, servir e representar, e não para que você tenha que “se encaixar”. Como bem disse o autor no livro: “construímos pelo mesmo motivo que escrevemos: para registrar o que é importante para nós.”
Quando um espaço ou projeto é criado partindo apenas do primeiro ponto e com referências da “tendência” do momento, ele provavelmente ficará lindo e agradará muitas pessoas. Mas sem estar vinculado a uma representatividade torna-se algo genérico e sem essência, aprovado por muitos e verdadeiramente vivenciado por poucos. Lendo isso, você consegue pensar em um lugar assim? Tenho certeza que sim. E é apenas com essa percepção de como nos sentimos com o que nos cerca que somos capazes de analisar e mudar nossa forma intervir no ambiente e nas coisas que fazem parte dele.
Sabendo disso entendemos que as coisas não são "apenas coisas" (ou pelo menos não deveriam ser), elas são o que significam, o que representam. Um exemplo disso é uma pedra de rio que tenho decorando a cômoda do quarto de hóspedes na minha casa. Sim, você leu certo, uma pedra de rio que foi escolhida cuidadosamente pela minha afilhada (que na época tinha 2 aninhos) para me dar de presente durante um dia maravilhoso que tivemos juntas curtindo a natureza. O gesto dela naquele momento representado por essa pedra tem muito significado para mim e é a chave material que resgata essa memória linda nossa. Mas para qualquer outra pessoa que não sabe o contexto ou não estava lá é apenas uma pedra. 
E para cada pessoa, ou situação é algo diferente: para alguns pode ser um cheiro, uma música, para outros pode ser uma foto, assim como para muitos é a cozinha dos sonhos ou a construção da casa própria!
Não importa quais são as suas "coisas" o que vai gerar felicidade é a sensação e as memórias que isso te traz. 
E assim, finalizo hoje aqui com o lema do nosso escritório: Arquitetura não é sobre projetar espaços, é sobre criar experiências!