A ansiedade é uma companheira inseparável de um lutador, é uma emoção complexa que deriva de outra emoção básica: o medo. Como já falamos em outra situação, todo lutador sente medo, isso é um fato, alguns mais, outros menos, alguns sabem lidar melhor com essa emoção, outros nem tanto, mas todos sentem, medo da derrota, medo das possíveis lesões, medo da vergonha, medo de não corresponder às expectativas do treinador ou da equipe, ou de familiares e amigos; isso é muito comum e natural, afinal somos seres humanos e sentimos emoções constantemente. Esse medo é um dos possíveis provocadores da ansiedade, outro possível provocador ansiolítico é a falta de confiança, o que também é bem comum, principalmente com pensamento tipo: “meu adversário é mais forte que eu; meu adversário é maior do que eu; meu adversário é melhor do que eu”. Esses são pensamentos corriqueiros que perpassam a mente de um atleta antes do combate, obviamente provocando ansiedade e a ansiedade por sua vez provoca somatizações fisiológicas como frio na barriga, inquietude, lábios ressecados, etc
A grande questão é:“ Como lidar com essa ansiedade?” Pois bem, como tudo o que envolve a mente humana, é algo complexo, mas podemos dar algumas pistas. Segundo a abordagem psicológica cognitivo comportamental, muitas das nossas angústias são por motivos de um pensamento disfuncional, ou seja, o indivíduo pensa em algo, esse algo gera uma emoção e essa emoção gera um determinado comportamento ou somatização física. A grande questão aqui está no pensamento inicial, o qual pode estar equivocado. Por exemplo, vamos imaginar aqui um pequeno questionamento a um lutador prestes a competir, revisando o processo de treinamento, poderíamos questioná-lo da seguinte forma: “Você fez todo o seu treinamento? Você buscou evolução técnica? Você trabalhou seus pontos fortes e fracos? Você preparou seu corpo para o combate? Você efetuou o máximo que podia dentro das suas possibilidades? Se a resposta foi sim para todas as questões, então podemos assegurar que a metade da ansiedade desse atleta é disfuncional, ou seja, ela não está calcada em evidência nenhuma, seguindo esse caso o atleta está preparado conforme o tamanho que o desafio exige, e isso por si só já é o suficiente. Geralmente atletas muito ansiosos tendem a supervalorizar as habilidades adversárias e minimizar as suas próprias habilidades, mas isso tudo por via de pensamento, que na maioria das vezes é disfuncional, sem ter evidências da sua veracidade. Então como sempre digo para meus atletas: “Tenham Calma”.
Cito aqui novamente as sábias palavras de um dos maiores espadachins da história da humanidade, o samurai invencível Miomotomia Musashi (1584) o qual escreve: “Controle os ânimos: não se permita extremos. Tanto em êxtase quanto em profunda tristeza o espirito enfraquece. Evite os extremos.”
