Foto de Almir Felin
A sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Frederico Westphalen foi palco nesta sexta-feira, 16, da assinatura dos contratos do programa Bônus Mais Leite, uma política pública do Governo do Rio Grande do Sul voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva do leite. O ato contou com a presença do secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Vilson Covatti, além de lideranças regionais, representantes da Emater/RS-Ascar, sindicatos e produtores beneficiados.
Na regional da Emater de Frederico Westphalen, que abrange 35 municípios, o programa contempla 164 produtores, com um investimento total de R$ 11,64 milhões, recurso considerado estratégico diante da atual crise enfrentada pelo setor.
– É uma injeção importante para socorrer o produtor de leite, que vive uma atividade cada vez mais difícil, com alto custo de produção, grande necessidade de mão de obra e preços que muitas vezes não cobrem os custos –, afirmou o secretário Covatti.
Segundo ele, o Bônus Mais Leite integra um conjunto mais amplo de ações da Secretaria de Desenvolvimento Rural. “Além deste programa, temos o Terra Forte, com R$ 73 milhões investidos na região, o Milho 100%, os programas Agrofamília e Agrojovem. Estamos aqui não só para executar políticas públicas, mas também para ouvir os produtores e buscar soluções para a crise do preço do leite”, destacou.
Covatti também reforçou a posição contrária à importação de leite. “Somos contra a importação porque precisamos valorizar o que é nosso. Produzimos cerca de 4 bilhões de litros por ano no Estado e ainda precisamos ampliar essa produção. Proteger o produtor de leite não é subsídio, é reconhecimento de uma atividade essencial”, pontuou.
163 agricultores serão contemplados em Frederico Westphalen e região
O diretor regional da Emater/RS-Ascar, Cleomar de Bona, ressaltou a importância da atividade leiteira para a economia regional. “O leite é fundamental para os agricultores, municípios e para toda a região. Esta política pública vem para amenizar as dificuldades causadas por estiagens, excesso de chuvas e, principalmente, pela queda de preços, que tem levado muitos produtores a pensar em desistir da atividade”, afirmou. De acordo com ele, somente nesta etapa, 163 agricultores serão contemplados em Frederico Westphalen e região.
Já o presidente da Emater/RS-Ascar, Luciano Schwerz, classificou o momento como um dos mais delicados da história recente da bovinocultura de leite.
– Estamos vivendo talvez uma das piores crises do setor, com mais de dez meses consecutivos de queda no preço pago ao produtor. O Bônus Mais Leite é uma resposta rápida, que estimula o custeio e o investimento, ajudando o produtor a manter o ânimo e a capacidade produtiva –, afirmou.
Schwerz também destacou que, enquanto medidas federais para conter a importação não avançam, a saída passa pela eficiência. “Precisamos produzir mais com menos custo. Programas como o Milho 100%, as forrageiras subsidiadas, a irrigação e o apoio técnico são fundamentais para reduzir custos e aumentar a competitividade”, explicou.

Representando os trabalhadores rurais, o presidente do Sindicato de Frederico Westphalen, Amarildo Manfio, destacou que o programa traz um fôlego importante, ainda que não alcance todos os produtores.
– O produtor de leite vem sofrendo com estiagens, aumento de custos e agora com a forte queda no preço. Este bônus não resolve tudo, mas traz um estímulo para seguir na atividade, que hoje está financeiramente inviabilizada para muitos –, afirmou.
Manfio alertou para os impactos da queda no valor pago pelo litro de leite. “Em muitos casos, o preço caiu cerca de R$ 1 por litro. Isso compromete a renda e impede o produtor de honrar seus compromissos. A consequência pode ser a redução da alimentação dos animais e, lá na frente, a queda na produtividade”, concluiu.
O programa Bônus Mais Leite prevê investimentos que podem chegar a R$ 30 milhões em recursos públicos, alavancando até R$ 120 milhões em contratos, beneficiando cerca de 2.800 famílias em todo o Estado.
Em Frederico Westphalen, a assinatura dos contratos representa um passo importante no apoio à permanência dos produtores na atividade e na defesa de um dos principais pilares da economia regional.
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