Foto de Tiago Francisco/Farsul
O anúncio da Medida Provisória nº 1314/2025, feito pelo governo federal durante a Expointer, ainda não trouxe alívio aos produtores rurais do Rio Grande do Sul. Apesar da promessa de R$ 12 bilhões para renegociação de dívidas, os recursos continuam indisponíveis por falta da regulamentação completa. A avaliação é do economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Antônio da Luz, que criticou a demora e os entraves impostos pela burocracia.
Segundo ele, além da própria medida provisória, são necessárias uma resolução do Conselho Monetário Nacional e uma circular do BNDES para autorizar a operação pelas instituições financeiras.
– Esses instrumentos são absolutamente necessários, sem os quais não funciona. A resolução já saiu, mas ainda aguardamos a circular do BNDES –, explicou.
A demora, conforme o economista, não é apenas questão burocrática, mas de gestão. “Esse trabalho começou em janeiro, e em fevereiro já tínhamos uma proposta pronta entregue ao Ministério da Fazenda. Se tivesse sido levado a sério, em maio já estaria tudo resolvido. O problema não é a burocracia, mas o governo deixar tudo para a última hora”, criticou.
Da Luz também apontou falhas no texto da medida provisória, que considera “mal feita e escrita às pressas apenas para gerar manchete”. Ele destacou que o documento não contempla de forma adequada o ano de 2025, que em muitos municípios pode ser o mais crítico em razão das estiagens.
Com a janela de plantio em andamento, o economista fez uma comparação irônica para ilustrar a dificuldade dos produtores: “A recomendação seria ler a medida provisória para as sementes, pedindo que esperem para serem implantadas. Mas a natureza não se importa com burocracia”. Ele alertou ainda para uma “seca burocrática”, quando o atraso nos financiamentos obriga o produtor a plantar fora da época ideal, reduzindo produtividade mesmo sem adversidades climáticas.
Além do agro, Da Luz avaliou que a situação econômica do país atravessa um cenário de desorganização administrativa e desequilíbrio fiscal.
– Não acho que seja má vontade específica com o setor, mas sim uma característica do atual governo. Nunca vi tanta desarticulação e falta de diretriz. Não se sabe com quem falar: com o ministro ou com o governo? –, afirmou.
O economista também fez um alerta sobre o futuro das contas públicas. “Estamos indo para um nível de endividamento muito grande. A partir do ano que vem, já vamos ver o governo em colapso fiscal. Em 2027, teremos apenas metade dos recursos discricionários necessários. Não é uma previsão minha, está no PLDO 2026 enviado pelo próprio governo ao Congresso”, reforçou.
Para ele, a recomendação aos cidadãos e produtores é clara: depender cada vez menos do governo. “As finanças públicas estão indo para um lugar que não me parece seguro. Se alguém recebe um benefício, outro está pagando a conta. O governo não gera riqueza. Se gerasse, não cobraria imposto”, concluiu.
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